quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Desejo a mil quilômetros por hora

Te desejo, te quero , te amo , te espero
Te desejo aqui comigo, lambuzando essa cama de cheiro de noite, de buquê de amanhã
Te quero para satisfazer meus desejos
Te amo como consequência deles
Te espero em turbulência nas nuvens a dois mil pés
Te desejo, te quero , te amo , te espero
Não te desejo para ficar aí só
Não te quero com outro
Não te amo para te dividir com as eventualidades
Não te espero mais que um dia, que uma respiração, que uma ligação
Te desejo, te quero , te amo , te espero
Desejei, desejo, desejarei e terei desejado
Te quis, te quero, te amo, te amarei e tenho te amado
Te desejo, te quero , te amo , te espero
Sei que posso desejar-te no começo da frase, mas que devo te querer, te amar e te esperar
Mas meu amor por ti é tão grato, grandioso e gradual que destoa da norma culta
Te desejo, te quero , te amo , te espero

O meu banco faliu

Meus empréstimos
Meu saldo negativo
Minhas aplicações
A conta está no vermelho
O cheque especial
O cartão de crédito
O débito pediu socorro na farmácia
O gerente me ligou
Que vergonha, meu Deus, depois de anos de fidelidade com o banco
Ele faliu e nem pra me avisar
Gastei além do que pudera imaginar
Estava lá aplicado mais do que papéis, estava meu amor por aquele ser
Este que me virou as costas, de quem eu não sei se fujo ou se corro ao encontro
Por que sorris pra mim, anjo da minha crise econômica?
Se eu for pra Europa, vais comigo entrar no mundo dos protestos?
Que amor covarde...queria te ensinar o que é isso que me desconecta do funcionamento constante
Agora eu me vou, eu vou tentar salvar o que der pra salvar
O dinheiro a essas horas acena com um lenço, já longe do cais
Mas se eu te tivesse aqui ao meu lado, reconstruiríamos tudo outra vez...
Juntos!

Mensagem de um alguém para um ninguém

Sabe, queria te dizer que não é você mais quem ocupa os meus devaneios
Não é você de quem eu sinto o cheiro, o prazer de saber que ele está ali
Lembro de você apenas quando tudo parece desmoronar
Nas felicidades não mais
Eu disse que iria te esquecer
Ocupar sua brecha com outro amor
Um alguém
Um alguém que se faça notável
E que não se mostre como o ninguém que você se mostrou para mim durante esses seis anos
Eu olho pro tempo e vejo o quanto perdi na espera dos teus beijos
Beijos sujos de cigarro e de palavras faladas para ouvidos quaisquer
Queria seu toque, hoje nada disso me faz arder como antes
O seu andar, a sua pele, o seu cabelo, o seu gesto, sua voz, seu perfume, seu sorriso
Todos se ofuscaram como em um degelo súbito
As promessas de uma alegria a longo prazo se encontraram com o impossível em algum lugar do espaço
Tudo que eu queria te dar mudou de endereço
Sua simplicidade, sua bicicleta, seu jeito destemido e despretensioso não me fazem mais parar o que estou fazendo para te olhar
Te vejo, sei de seu corpo, noto sua presença, mas não movo uma esperança
Outro alguém preencheu o seu lugar
Só resta saber, o que não quero acreditar, que se trata de um ninguém assim como você foi todos esses anos para mim.

Grão de girassol

Encontrei um, quis correr pelas mãos, lindo, encapsulado pela formosura da natureza, e foi em um sábado pela manhã
Achei no chão, próximo a um jardim de primavera roxeado e rosa-azulado
Estava como se quisesse ser pego por minhas mãos calejadas de tanto segurar nas cordas da vida
Cordas que fizeram feridas, que custam a cicatrizar
Por que, meu pequeno grão, pequeno pássaro quer pegar?
Por que logo você, meu grão de pólen, foi se deixar levar pelo primeiro sopro que passou?
Você é minha orquídea, minha margarida, minha azaléia, meu lírio, meu amor!
Trago-te na cesta que levei para recolher os frutos no pomar
Meu grão, pequeno grão de girassol...
Quer ser plantado, não quer, por mim, esse servo que admira sua beleza e que teme ao tocá-la esfacelar sua face?
Grande rosa branca
Minha plantação é de morangos, pêssegos e amoras
Você se embaralha por entre os outros
Chego a casa e quando vou esvaziar a cesta
Tanto esforço se perdeu
Você se foi
Foi semear amor e beleza em alguma parte daquele chão
Vai crescer, florescer e quando um dia eu passar pelo pomar saberei
Esse aqui é o meu girassol.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O trote da vida

“E eu que pensava que não ia me apaixonar nunca mais na vida”...
Esse verso da Marisa me enche de vida ao mesmo tempo em que diz de mim e deixa exposto minha parte quebrantada
Eu não sei ao certo o que esse sentimento que novamente reaviva e emana de mim pode conter, mas já consigo ver as noites mal dormidas, a voz ofegante, o corpo cansado e a mente que sequer tem consciência de si
O peito já está esmigalhado
E outra vez a história de terror se repete
Pergunto onde Ele está que nada faz?
Cadê esse Deus que me deixa percorrer mais uma vez esse mar de gelo?
Que me permite escrever mais um capítulo em branco desse meu caderno caído aos pedaços
Pra quê? Por que um coração tão vulnerável às peripécias do amor?
Pra que essa sensibilidade nessa alma presa, amarrada de sua possibilidade de voar?
O melhor seria eu ser feito de um material resistente que não se emoldurasse em qualquer porta-retratos, que não fosse como um bebê que vai ao colo de todos
Eu queria essa dor para longe de mim
Esse alguém se afasta e sei que mesmo escrever sobre já pode parecer loucura
Como eu fui tão ingênuo? Me escolheria? Não.
Prefere dormir em uma cama de pregos corroídos pela ferrugem, deleitar-se do aroma de outros campos, a correr comigo nesse imenso corredor expresso para a felicidade
Vai, que termine mais esse ano e você que eu conheci, que eu não veja mais
Vai, suma, e por mais uma vez eu fico com essa frase: Nunca mais amarei.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Malabares, crônicas e muitas brincadeiras de faz de conta

Tua roupa encharcada da chuva eu tirei, sequei teus cabelos, despi teu corpo e um sorriso malicioso eu desencobri
Era você querendo me levar pra dentro do teu temporal
Sugar-me para fora daquele espírito atordoado que eu vestia por debaixo do jeans e da camiseta
Era você com esse ar de você mesmo
Tirou minha roupa, lambeu-me a nuca...as mãos percorriam as mais destemidas áreas que eu pudera notar a presença
A voz era suja, pecaminosa, embargada pela água do chuveiro e esbaforia-se em prazer tolo, de graça, sem pretensão, volátil, ríspido, meu!
Era meu amor de volta, após anos de guerra contra si mesmo
Tinha resolvido dar-se uma chance
Dar-nos uma história, ainda que fosse faz de conta
As lágrimas eram invisíveis perante toda aquela água
Tocava Isabella Taviani na MPB FM
E enquanto nos beijávamos, nos inebriávamos com o gozo de uma vida sem gozar, eu relembrava a companhia que as canções daquela cantora tinha me feito nos momentos de desespero
Aos poucos fomos nos recompondo, terminando o banho, deixando a água lavar toda a paixão que a mesma tinha se comprometido de trazer naquela noite
Quando já nos secávamos, eu abri os olhos e percebi...
O suor banhava a cama, eu estava só, e o sonho estava dentro de mim, louco para gritar seu nome
Saí então pela rua e lá estava
O final depois eu conto...

O câncer dos nossos pensamentos

Minha gente, o que é o câncer?
Trocando em miúdos, uma doença traiçoeira, que traz apenas dor, sofrimento e quando a cura traz pode até gerar superação, até que ela ataque novamente, despejando o pote que a felicidade estava todo no chão, igual a um pote de biscoitos recém-chegados do supermercado.
Pessoas ao redor do mundo passam por ele, mas teria um estágio maior para a doença senão a própria morte do que sente?
Existe, é o câncer oriundo não da produção celular desordenada, mas das mazelas e pré-conceitos que fazemos questão de catar da caçamba quando o lixeiro já tem despejado todo o conteúdo no caminhão.
E para que se pratica tal insanidade?
Com uma bíblia em baixo dos braços, os mentirosos se escondem, perdidos no mundo das infelicidades, se comprometem a levar a palavra adiante quando nem se quer a palavra conhecem...
Aprendi hoje que um dos maiores sinais de inteligência é dar palanque para que tais indivíduos se expressem, deliciando-se de suas intempestuosidades enquanto tentam demonstrar ser alguém, conhecer a velocidade dos astros, o movimento regente de todas as coisas
Que bobinhos! Estão com câncer e esse será que tem cura?
Não me translocarei para este debate...
Me resumo em poucas linhas, quero dar margem à eles...
Que falem, estou aqui para ouvi-los!


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Relação sem nome

Eu gosto da multiplicidade
Eu gosto da originalidade
Eu gosto de olhar pro outro e ver algo que eu não vejo em mim
Gosto de abrir as portas do armário e encontrar meias e cuecas de todas as cores e tons
Gosto de sair de preto em um dia ensolarado
Gosto de vestir camiseta no inverno
Gosto de falar palavrão quando apropriado
Temo os que são iguais e não me saltam aos olhos
Essa gente que é levada pela maré dos gostos genéricos
Que não faz sua própria revolução
Não cria seus prospectos
Não engaja uma iniciativa
Espera que a banda passe como diria Chico Buarque
Espera faltar luz para ir ao supermercado e comprar a vela como todos os outros
Espera ter fome de conhecimento para pedir auxílio e não vai lá e busca
Entra no Google!
Seja original...deixa eu te ver como alguém que eu nunca vi
Estou farto dessas matizes com tons gelo e não híbridos
Cadê a cor da nossa espécie?
E a possibilidade de se reinventar?
Quero, gosto e desejo te ver...
Te ver pintando um quadro de você...
Mas vai lá e faça algo diferente, algo que eu ainda não tenha visto, nem sugerido.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A verdade de sutiã e calcinha (Hoje é sexta)

A verdade está por toda parte
Na água cheia de bactérias da bica do bar que se pede para tomar em um dia de sol
Na barriga de uma mulher prestes a parir na estação de trem, que acabou em notícia de jornal
No costas do trabalhador que não vê os filhos há mais de um mês
Nas contas a serem pagas pelo pai empreendedor
Nos calos surgidos de vintes anos de labuta
Na cabeça de um menino que vai se arrastando para a escola numa manhã de segunda-feira
“Ah, hoje é terça e eu preciso ficar ouvindo esse professor chato?”
“Hoje é quarta e a semana bem que podia terminar amanhã”
“Ainda é quinta, acho que não vou pra escola amanhã...quer saber, vou matar o primeiro tempo”
“Hoje é sexta e eu não vou pra escola...de tarde tenho curso e de noite festa do Paulinho”
E nesse vai e vem a semana passa e o nosso queixar-se da rotina vai aos poucos gastando nosso pavio
E quanto ao telejornal? Será que teve tempo de parar e ver as atrocidades que assolam o Oriente Médio, a Crise na Zona do Euro, os conflitos entre pataxós e assentados, as greves de professores, a possibilidade de uma censura à imprensa, vocês viram?
“Extra, extra, população resolve tirar a roupa da verdade, prometem deixá-la nua, mas por pena permanece o sutiã e a calcinha”...está mais para manchete do Meia-hora, mas o recado foi dado.
A verdade num meio copo de cerveja
A verdade na boca de uma criança que desconhece o sigilo e o “pudor” do mundo adulto
A verdade estampada nas páginas dos noticiários
A verdade que amassamos e nem sequer nos damos o trabalho de jogar na lixeira, vai pro chão mesmo, é mais pertinente e menos incômodo
A verdade como se quer ouvir
Uma verdade prima próxima da mentira e da farsa
Encasacada e com seu sobretudo foge de mansinho, mas deixa a sua verdade em cima da estante, onde só os altos alcançam.

sábado, 24 de setembro de 2011

As águas e o sol passam por mim

Desde pequeno, quando minha mãe me levava ao dentista ou mesmo para fazer compras, eu ficava ali, da janela do ônibus, só reparando a inércia do sol.
Era como a lua, mas era mais estável seu movimento...
A qualquer instante parecia que eu poderia os alcançar, não tinha noção de quão distante estávam de mim e os queria ver de perto.
À medida que o ônibus se movia, na minha frente o sol pela janela nunca ficava para trás...
E eu me perguntava o por quê daquela estagnação toda, por que é que ele, o sol, não se movia para trás de mim.
Ontem eu percebi novamente tal inexorabilidade, tal maestria com que ele domina o universo, o meu universo que agora um pouco mais adentro está dos seus milhões quilômetros que nos separam...
Naquela mente pequenina, eu não me curvava mediante as palavras da ciência, eu fazia o meu próprio conhecimento e ele varria o percurso de casa para onde quer que eu fosse.
Ainda hoje, mesmo curvado, eu não me prostro em aceitação; eu quero dominar essa órbita elíptica que viajamos a cada ano, quero entender nossa espécie, quero me compreender e saber o motivo pelo qual as falhas e as águas que nos banham não me dizem...
Quero viver a imutabilidade dos sentimentos de outrora...
Quero os amores do mundo ao meu redor, contando histórias uns para os outros, vivendo a alma ao invés do corpo, não se dizimando sobre a terra...
Esse ar, essa pele pujante, esse olhar que me confunde, essa natureza sua e minha, todas as pessoas do planeta...
Vamos viver a sincronia dessa dança convidativa, que nunca cessa, e que poucos conhecem a melodia.

domingo, 18 de setembro de 2011

Pra que discutir?

Me irritam essas pessoas fundamentalistas “Não como em Mcdonald’s, não uso Nike e sou a favor da liberação da maconha, da eutanásia” e com isso levam suas opiniões como se fossem um outro membro de seus corpos.
Chega João e todos o veem com cara de comunista rebelde.
O que há de mal em defender uma postura, não gostar de outra e simplesmente querer aquilo pra você? – respondo: não há mal algum.
O que é preciso ser entendido é o extremismo, o fundamentalismo, o exacerbado, o querer intimidar.
Hoje, vivemos em um mundo de guerras constantes, por motivos banais, atentados contra a vida e a percepção humanas e deixamos de viver o que é pra ser vivido.
Eu como no Mcdonald’s, não uso Nike, pois não tenho dinheiro, sou católico, mas não defendo a postura de certos padres, ou melhor, não fecho minha mente para as críticas e possíveis verdades...não tolero que digam o contrário.
Todos devemos ter o discernimento daquilo que falamos e mostramos.
Mas não gosto e não vou ser mal interpretado por aquilo que penso e o pouco que mostro.
Toda crítica constituída de boas intenções são bem vindas ou mesmo aquelas que se enchem de ar maléfico quando são depostas.
Nenhuma crítica que vá depreciar a imagem de alguém ou aquilo que a pessoa acredita pode ser levado como brincadeira...
Cristina torce para o Flamengo e Caio para o Vasco...
O que há de mal deles torcerem juntos ou mesmo irem ao estádio sem que um queira matar o outro após a partida?
É apenas um jogo, nossa vida, aquilo que está enraizado em nós, nossas políticas e vivências não contam?
Então pra que ainda brincar com a derrota do amigo? Sua vitória se faz mediante a destruição do outro? Você acredita em Deus? Então vá ler a Bíblia.
Então, por que ainda se discute qual a melhor religião, qual a melhor marca, o melhor sistema de governo, a melhor banda de todos os tempos, os maiores ídolos?
Enquanto a massa segue os “melhores”, os que ficam sentados ao meio fio transbordam de sabedoria aqueles que se deixam ser levados por sua humildade.
Paremos com essas discussões ácidas e pouco relevantes...
Eu tenho o meu direito de saber se uma criança será melhor adaptada a uma família tradicional ou não, mas que direito me respalda apontar as consequências de uma possível criação alternativa se eu não tenho o poder sobre o futuro?
Enquanto isso tudo é mera especulação...amores que nos fizeram sofrer, pra quê se fechar pro mundo? Caiu duas, três, aposte na quarta subida, quem sabe você não fica firme?
Escrevo, angustiado e já sem tolerância para esses discursos pré –prontos de ataque e essas falas sempre com o mesmo discurso, esses que teimam em chamar aos outros de ignorantes e que pouco notam que a ignorância está em julgar aquele que desconhecemos...
Por isso defenda o que você acredita com base naquilo que não desagrade alguém que se senta na carteira ao seu lado.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Crônica ao Senhor dos desastres

Hoje a febre circundou nossas cabeças
Falei pouco, comi o suficiente, ouvi tanta gente...
Ouvi hipocrisia, ouvi asneira, rebeldia e vi a fúria de um professor
Viajei nas histórias, no tempo dos meus devaneios, nas libertinagens que uma fórmula de física pode conter
Pedi abraços, ganhei carinhos, sorrisos e retribuí rispidamente
No meio do caminho um garoto, dessas financeiras que mais parecem ofertar dinheiro e prometem juros para você passar o Natal, enquanto eu pedia uma informação me cutucava ininterruptamente com uma caneta, dizendo: Vamos entrar! Vamos entrar!
“Tem como parar com isso, por favor” – retruquei...resolvi minhas pendências, aliás, não resolvi e fui embora
Rumo à rodoviária eis que um pássaro, desses cujo sobrenome é bendito, desacopla-se de suas excretas e as arremessa para o deleite da gravidade
Uma folha de caderno limpa a sujeira, mas não desfaz o estresse
Não despe o escudo que criei para me defender do mundo, mesmo que esse seja apenas um pássaro
Mas, pensando bem, eu ri da situação
Já no ônibus, uma menina anuncia um possível vômito (sem eufemismos)– ela estava ao meu lado, em meio a tosses, estouros de bolas de chiclete e murmúrios pouco prazerosos de se ouvir
Já em casa, com os pés na calçada, a luz sai para dar um passeio
Volta depois de quase duas horas e eu aqui escrevo
Que dia para se guardar nas anotações
Que dia para não se viver mais!

domingo, 28 de agosto de 2011

Um cigarro na boca e um tesão despido

A mulher passa, o homem se encanta
Ela o seca, ele a observa
Entre o grupo de amigos lá está ele
De repente tira um cigarro e toda a entrega dela se desfaz
O tesão foi embora, se escondeu, arrancaram-lhe as roupas
Ela, na vida, já sofreu muitas desilusões
Essa é mais uma das tantas que coleciona em seu álbum de desprazeres
As horas já não passam como antes, na espera e no sonho de uma noite poder se saciar de amor
A mágica já não existe
Por que ela iria acreditar se eles não deram chance de deixarem ser vistos?
Ela planeja um traçar da vida diferente do até então planejado
Arruma as bolsas, junta o que tem, cai no mundo
Com seu mapa e seu passaporte ela é uma forasteira de meia-idade
Está à procura de motivos para viver a sua outra parte
O lugar para onde ela vai nem ela se atreve a imaginar
Só quer que não perca mais tempo
Não se deixe perder por falsas promessas ocultas
Ela se separou de si, dos outros e ao mundo agora pertence
Ela se foi, está em algum lugar onde nem sua consciência conhece
Um lugar onde todas as flores se encontram
Onde o verde das plantas se confunde com o azul do céu
Um lugar onde ninguém se atreve a mencionar para não lhe tirar a concentração.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Segredo que todo mundo sabe, mas não quer saber.

Parem de falar de amor
Acabem logo com ele
Ou pelo menos com a ideia de que se tem.
Permita-me ensinar-lhes uma lição:
Amor só existe se for recíproco absoluto
Não existe essa de “tenho o meu jeito de amar”
Amar é de um jeito e pronto
Deixem de tolice
Soltem as mãos da hipocrisia
Ela quer andar livre e em exercício de sua liberdade atravessar o sinal
Vejam só, aproximem-se! O amor foi atropelado e o sinal estava vermelho.
Que contradição!
Homens não sabem amar
Mulheres não sabem escolher
Casais brincam de se adorar, eles apenas se acostumaram um com o outro
Amor não existe, minha gente
Isso é efeito evolutivo!
Sempre existirá um peito em que a chama arde mais
Sempre existirá um lado em que aposta e acredita mais
Sempre existirá um que chora e outro que cai na esbórnia
Deixem de crendice...isso que arde no peito é frio.
Coloquem uma jaqueta e saiam pela noite.
Aproveitem enquanto não vem mais um louco lhes fazer acreditar no inverso
Por favor, amor não existe.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Um texto sem título

Desde pequeno algo que me arrebata constantemente é o anoitecer.
Será que alguém já foi capaz de vigiar o céu ininterruptamente de modo a enxergar o dia saudando a noite?
Este fenômeno ministrado pelos fusos horários, que se comporta de acordo com sua chefia em cada região, mas que brota sempre em todos os corações.
Estava nas últimas páginas de um livro, quando ao me encontrar com a ideia de noite me remeti ao passado não muito longínquo; ao passado das minhas falas abstratas, dos meus invernos sem lembranças precisas, dos meus desenhos, dos meus manuscritos não lidos.
O que eu admiro no poder criativo é essa ajuda ao resgate, essa indumentária que a imaginação veste as memórias e que surge sem a necessidade de prosa, de refrão, de verso.
Outro fato importante é a relação íntima com o papel e a caneta; eles independem de eletricidade e os bons erros e mudanças de palavras são registrados na base do rabisco e não de um botão que quando apaga, some com o verbo; dá cadeira e serve café para que o escritor comece novamente, não permitindo-o se interpelar nas frases, pois o que foi pensado e não coube espaço foi deletado. Que sorte tenho de me maravilhar neste processo ancião da escrita, já tendo desligado o computador posso ver meus rabiscos...pena que daqui a pouco esse papel será trocado por letras virtuais...letras que no momento em que você lê não são mais as originais.
Vou tentar observar amanhã esse encontro da luz que bate seu cartão e da noite que vem para trabalhar enquanto eu me preparo para dormir e que no restante da madrugada só me observa...calada, às vezes atroz, maliciosa, forasteira e que tem de companhia as estrelas que me tomam a capacidade de entender como tal riqueza se faz e me emerge no campo da fantasia, me destituindo de filosofias pré-prontas e me esgueirando na infinidade de sonhos que já não dava mais tempo de ter.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Essa é a história do fim

Não vou mais te pedir pra casar comigo.
Decidi não aturar seu mau-humor diário, seu hálito matinal.
Seu café levar na cama, seus sapatos buscar quando se encontra no atraso para o trabalho.
Resolvi separar umas fotos e encontrei uma carta sua...a primeira...quando declarei meu amor por ti, jurei minha fidelidade e amor eternos...nem pudera eu imaginar que acabaria assim.
A cama não se forra mais, nosso desejo se perdeu, sua coleção de colares de almas torturadas, seu pecado de várias noites em lençóis distintos.
Seja no andar brando de sua obra corporal, seja na inquietude de meus pensamentos; crucificado fui eu, tolo e arredio, caído de paixão e me deixei fotografar.
Meu álbum, que agora revejo, contém cenas de dias em que a promessa de felicidade era inteira e doada gratuitamente.
As datas dessas fotos, nada mais que imagens congeladas de acontecimentos só nossos, que embora estivéssemos na presença de amigos, o segredo de nossa felicidade era compartilhado apenas em nossos corações; escondido e bem arquitetado como um crime, era assim, eu o bandido e você o revólver...
Na hora de disparar o tiro disparei em mim...você me matou e agora fique com esses versos.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Hoje eu resolvi falar da poesia

Ela merece um espaço maior.
Nos acompanha durante nossa formação, ainda que sorrateiramente ou mesmo de modo a ser exposto.
Uma frase bem planejada, ou mesmo aquela que sai de solavanco, dão engajamento ao nosso discurso.
Uma palavra juntada, um neologismo, um assassinato morfológico, também contribuem para a força e notoriedade contextuais.
As palavras “saem quase sem querer”, como diria Vanessa da Mata e assim vão lapidando nosso rastro, morrem ao serem proferidas.
Palavras dispersas no ar é balela, elas estão mesmo é mortas...o difícil é localizá-las em nossos sentimentos e desculpá-las da boca do outro.
Ah, as palavras, as frases, os versos, as estrofes...a precisão vocabular, o espaço, o tempo, o jornal...
Já se viu quanto erro tem em um jornal? É a palavra se expressando por si só...
A poesia? Ela é esse universo infinito de astros que teimam em carregar sua luz própria.
É a prosa, o conto, a tal da não-verbal...
Enquanto isso, eu te ofereço um drink, caindo no estrangeirismo - um recurso linguístico...puxa uma cadeira, senta aí comigo, vamos pedir a saideira?
Escreva aí uma poesia...use as palavras que te dei...
A palavra ao gosto do freguês.

domingo, 19 de junho de 2011

Carta à presidenta

Cara presidenta,
Como é de conhecimento de todos, porém pouco ainda se discute, venho aqui para mostrar a situação ambiental da nossa riqueza ecológica.
Lhe pergunto, como é possível atrelar desenvolvimento sustentável com crescimento econômico de maneira a prevalecer os direitos do meio ambiente? Como é que podemos assegurar o direito de nossas matas, florestas, rios e animais que a cada dia são extintos sem que nunca tivessem sido conhecidos? Pode aparentar ser discurso demagógico insistir nessa tecla de “fala ambientalista”, mas os dados me apavoram. De acordo com a Veja de agosto de 1995, um dado alarmante vem à tona; em comparação ao período colonial, “a Mata Atlântica cobria cerca de 12% do território nacional; em 1995, a floresta nativa resumia-se a 95.000 km², menos de 10% da cobertura do ano de 1.500 (1 milhão de km²).” Eu, em minha vez de cidadão, me vejo envergonhado e piedoso quanto ao nosso futuro e de nossos descendentes. Não é preciso ir muito longe, nem é preciso ter um conhecimento muito específico de geografia para entender que a Mata Atlântica “regula o fluxo dos rios, protege as escarpas e encostas das serras, assegura a fertilidade do solo e ajuda a controlar o clima.” Como se pode acabar com o nosso sustento biológico? Uma folha, presidenta, uma folha de papel não flutua no ar. Como é que querem que soframos calados e cabisbaixos fiquemos mediante construções que ferem o princípio de legitimidade do ser?
De acordo com Augusto Titarelli, “[...] considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, que, direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais”.
Como é que a Belo Monte pode não se encaixar neste parâmentro? Como é possível considerar a instalação de uma usina hidrelétrica como não nociva ao ecossistema e a população? Ainda que o empreendimento possa trazer propostas de melhoria energética, os "benefícios" a longo prazo são catastróficos. Quando é que a lei da natureza será respeitada? Eu escrevo, já cansado de ter de esperar por solução...A senhora presidenta por algum acaso tem algum projeto de bolha ou redoma para se enclausurar quando a situação se tornar insuportável?
É a voz de um povo que clama, são nossos direitos, onde está a democracia? Onde que fazendeiros podem mandar no nosso modo de vida e ditar as regras? Ferir a Constituição, por parte do governo é aceitável? Então liberemos o aborto, a maconha e a eutanásia...já que é relevante, não é presidenta, vamos fazer a festa.

sábado, 18 de junho de 2011

Gaia

O que é que estamos fazendo?
Não escutaram a voz de Gaia?
Ela pede socorro, imortalizada em sua existência e destinada a conviver com a tirania do homem.
Uma criança planta uma flor, no outro dia essa mesma faz sombra para uma joaninha...uma árvore dá seus primeiros sinais de vida, enquanto duas de suas irmãs morrem ao seu lado...é uma imensa crueldade...atentar contra a vida de parentes tão próximos.
Os céus assistem a tudo, esperando a hora da batalha final, que já sabemos quem serão os perdedores.
As montanhas descerão para ver o triunfo dos mais fortes
Gaia virá com sua fúria de mãe e nos porá de castigo
Em contrapartida, o sol se esmiuçará nas matas, nas águas dos mares e fará com que a vida na terra seja um “era uma vez”...
Nesse dia a respiração será ofegante e o arrependimento será sentido até pelos que não despertaram a fúria de Gaia...
Todos marcharão no exército mortífero...
O perdão não será concedido...
Esse episódio não será contado, a vida já terá ido embora...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Hoje o meu ônibus estava cheio

(Crônica ao senhor do saber, o imenso destino desconhecido)

Acordei no rompante da hora e me elevei até o banho.
Não tem quando acontece aquele misto de sentimentos e que junto com a fúria e a angústia, fazem com que o coração bata mais rápido?
Então...hoje eu vivenciei esse misto...essa sensação de estar novamente sendo ferido, sendo apontado.
Apontado pelos meus medos, apontado pelo meu não-saber lidar com o cenário de delírios, ameaças e certificações.
Já em meu ônibus, de volta do tormento e sacrilégio diários, fiz com que meus olhos se voltassem para o belo do que me esperava...
Fiz e em vão, literalmente, com um muro de estação me deparei...
Vi senhores de rua...
E pela primeira vez me vi.
Me vi no aspecto cidadão.
Me vi abandonado e quis me enxergar melhor.
Queria saber o que se passava em meu íntimo, em meu mar de confusões e reflexões.
Vi naqueles rostos, como nunca anteriormente, o grito torturado e a aparência de dignidade.
Achei estranho e por isso seguimos...
Quando não mais que de repente me deparo com cena inusitada...
Era um outro desses senhores de rua deitado no chão como se fosse posar para um quadro ou ensaio sensual...
Vi naquela pose a fala de uma sociedade...
Me vi novamente.
E com isso, chego, me liberto das minhas apreensões de hoje e esvazio meu ônibus cheio de palavras presas...
Deixo você com minha incerteza de paz até amanhã.

sábado, 11 de junho de 2011

O mundo de um motorista

Trancafiado em seu universo de bom dia lá vai o motorista.
Lá vai ele, olhem que maravilha, sem ele nosso início de jornada não seria possível.
Hoje resolvi dedicar meu verso ao próprio...este ser menosprezado em seu salário e em recebimento de sinais de gentileza.
Tudo começa na rodoviária...pega passageiro...paga com dinheiro inteiro e não tem trocado.
“Espera, que daqui a pouco te entrego o troco” e então segue apreensivo a viagem temendo ao saltar não ter recebido o tal troco.
Sobem então passageiros e mais passageiros e então eis que surge o troco.
Nesse passar de roletas, imperceptível ao fim do dia, o que restou foi apenas o cansaço...
Mas antes mesmo de ir pra casa, precisa fazer certa quantidade de viagens e aguentar passageiro de todos os tipos e avessos.
Sobe o moço que não sabe pra onde vai...
Sobe a passadeira e arrumadeira de lares...
Sobe o indiozinho, menino todo meigo, uniformizado e com a boca que o lambuzar do chocolate serve pra moldar.
Sobe o emo e seu amigo, compartilhando de um corte de cabelo todo “trendy” e com seus incessantes movimentos de ajeitar.
Ah, sabe quem mais sobe...sobe o Seu Mário, o mestre de obras de mais um desses projetos “boom” da construção civil...ele sobe e junto dele três ajudantes...
A essa altura o ônibus vai ficando cheio, mas igual coração de mãe ele segue rumo a estação.
Sobe Dona Laura, Dona Lígia e Dona Marleide...todas a caminho das promoções do supermercado.
Sobe Júlio, o feirante.
Sobe Fábio, o estudante.
Marília, a professora.
Anita...essa, pelo que dizem, atua mesmo é na destruição de casamentos...profissão que já está quase alcançando valor no Sindicato.
Sobe eu, sobe você, subimos nós e eles.
Sobe Valdemar, o cara do dread...
Sobe Lúcio, o do som...que, por sinal, que barulheira logo pela manhã.
Sobe Cleide, a dona do cigarro...e com ela sobe toda a murrinha de uma noite de fumaça.
Começam a chegar os pontos de seus respectivos saltantes...
Eles descem e esquecem-se do motorista...
Será que lhe deram bom dia?
Será que lhe lembram a fisionomia?
Se lembram ou não...que injustiça é a vida de um motorista...
Ele faz o mesmo percurso e não se cansa...e se cansa não nos conta...está sempre lá, isolado, se fazendo de participante das ferragens do ônibus.
Quando alguém puxa a cigarra é possível notar seu olhar através do espelho...só isso...nenhuma palavra nem sorriso.
Ele, o motorista, nos leva para fazermos nossa história diária e a dele?
Quem faz a dele? Somos nós? Mas será que somos merecedores?
Ele ali, em sua pobreza de existência, inebria os que não se deixam perceber...
Ele ali, em sua camuflagem, não é capaz de dizer quem foi que por si passou e desceu...
Ele, o motorista, é personagem que atua de sola em nosso livro e que só pegamos na caneta pra escrevê-lo quando esse passa direto do ponto e nos deixa a esperar o próximo ônibus...atrasando assim, a escrita do nosso livreto...esse livreto...esse livreto indecifrável.

sábado, 4 de junho de 2011

Silêncio

Alguém ouviu? Alguém soube ou procurou saber das últimas?
É...parece que eles, os generais, querem ridicularizar nossa existência.
Eles aplicam a segregação nas escolas
Eles matam de dor a nós, a cada projeto que tramita no Congresso.
Eles desmatam a natureza
Eles comem a nosso custo
Eles nadam nas orgias da vida com nosso consentimento.
É processo aberto para apurar riqueza ilícita, é projeto de lei, é espera de aprovação...
É deputado que revoga o que foi institucionalizado...
É bispo querendo dar uma de defensor dos direitos de Adão e Eva.
Cabe a nós, assistir a essa ladroagem ou clamar em alta voz a que viemos.
A quantas andamos que não percebemos o mal que se instaurou?
Não dá pra respirar, estou dispnéico...
Me levem para a Unidade Hospitalar mais próxima...
Espero não morrer...
Mas do jeito que está se eu não morrer na fila de espera, eu morro de infecção.

sábado, 21 de maio de 2011

Um coração que quase não pulsa mais

Meu coração está ardendo, inflamado, em chamas fagulhantes
Meu coração está angustiado, com medo de criança, ameaçado pelo ressentimento
Implora para que eu faça o que é certo
Minha condescendência me diz para ir lá, me desculpar
Minha lógica diz que o melhor a fazer é ao tempo dar sua chance de apagar essa mágoa
O difícil é falar com meu escuro, com meu vazio, com minha amplitude
Sou amplo em meus versos e limitado em sentimentos
Meu coração fagocita toda e qualquer lágrima
Meus mananciais já secaram
Meus lençóis freáticos não os abastece mais
Minha vida segue perene nesse imposto que tenho de pagar
Meus desastres já não são noticiados
O vento levou você como eu queria e agora sigo aqui ricocheteando nesse rio morto
Meu âmago, minha inimiga constante...
Minha culpa!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Dualismo da nova era...

Parando para analisar, e isso é o que me embate há muito tempo, o nosso pré-conceito está bem em nossa margem, no leito de nosso rio...
Algo que sempre me intriga muito é a denominação de gen normal e anormal...
Outro dia quando tinha uma questão na folha de exercícios, lá no meu curso, na qual uma das opções de resposta era “aberração cromossômica”, podia até dar para bom entendedor, conversa plausível, já que “aberração” é aquilo que foge aos padrões, contudo, temos de trabalhar nossa mente para aquilo como “errado” e normal mesmo é chamar o gen de “anormal”, assim como pessoas - quem tem cabelo liso possui o par de alelos heterozigóticos, portanto, “normal”; já quem possui cabelo crespo é o recessivo, o “anormal”. Desculpa, Elisa Lucinda, você é linda e realmente alucinda, mas é anormal.
Não é preciso ir muito longe para ver tamanho paradoxo.
Nos dizemos “sem preconceito”, mas você já parou para se auto-avaliar, se policiar?
Se um negro lhe pisa o pé, até então, um “foi mal” por parte dele e um gesto de acepção é dado por nossa parte...
Mas quando um negro assalta um banco?... vai ficando difícil de conter não é mesmo?...
Melhor...quando esse mesmo negro lhe agride moralmente, destrói sua conduta e ainda bate com a bola no portão de sua casa? Humm...acho que ouvi alguém dizer “seu preto, seu macaco”!
Isso, minha gente, é o nosso não-preconceito...isso é o nosso paradoxo, o nosso antagonismo impregnado. Somos hipócritas. Dançamos a valsa com o indivíduo que julgamos ser inferior a nós. Faríamos isso, então, por conveniência? Talvez. Fracasso? Não. Má formação ideológica, corrupção social...não e outras vezes não.
Somos assim, de maneira tão fácil de entender, porque achamos que não estamos sendo equivalente ao que se julga de preconceituoso...”Eu? imagina, eu ACEITO até homossexual”...e é com essas palavras que seguimos nossa bem-aventurada vida, nossa trama, nosso diálogo sem falas, nosso livro copiado, nossa xerox em branco, nossa pauta mal organizada.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O que é preciso para ser?

Ser, ser e mais ser.
Na ambiguidade que a palavra pressupõe, nos dá margem para seguir dois caminhos: o ser com o sentido de se fazer valer para agradar alguma conveniência e o ser daquilo que somos.
Uma jovem senhora, dotada de puro carisma, de despreocupações com possíveis reconciliações, já que seu marido é falecido de nascença, caminha atônita com a descoberta de um novo mundo ao seu redor [...] ela está no shopping. Nesse aglomerado de lojas e vitrines convidativas ela passeia vislumbrada com cada luz, com cada incenso, com cada transeunte.
Na escada rolante um menino chora para com ela brincar...a neném na praça de alimentação derruba sorvente e mancha sua blusinha nova cor-de-rosa...o moço mal encarado passa com suas sacolas, provavelmente, um presente para amante; todo engravatado e com ar de todo certinho...ali, bem perto, um casal de namorados compartilham um algodão-doce, o cinema lota em dia de estreia, a mãe passa dando um sabão no filho e uma menina grita “Camila, Camila, me espera”.
São todos eles, pois, personagens os quais esta senhora, livre e desimpedida, jamais vira. Personagens que compõem a cena e “visualgraficamente” relatam como foram seus dias. No pequeno restaurante toca música boa e a plateia de meia-dúzia de colegas de trabalho no “happy hour”, cada um já embriagado pelas risadas, exaurem seus demônios, veem-se livres da cornucópia de papéis e burocracia.
Essa senhora não se preocupa com o ser, que muitos neste shopping se preocupam. Ela veste roupas simples, foras de moda, de tons pastéis quase imperceptíveis, mas que ecoa em sua sonoridade a vontade de viver, o esforço para se aderir ao novo mundo, ao novo tempo. Ela, em seu tempo, nunca tivera o bel-prazer para ser uma vez a dona de si. Ela é nela mesma. Já os que passam, com seus pecados, com suas preocupações, seus lamentos, seus desapontamentos e seus julgos, não veem refratar o espetáculo de luzes e cores; eles são cegos para a vida, eles têm muito a aprender com esta senhora. Seu nome: Felicidade.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O encontro

Sabe, nessa vida dizem que tudo passa...
Mas há controvérsias. Será que não podemos dizer que mesmo que na ideia sugerida e subjetiva de tempo tudo passe, as emoções que vivemos não são eternas no nosso presente, um presente que não tem limite de quando começa ou termina?
Pode ser uma eternidade, já que muito li a respeito da mesma, ou então o limite de tempo para um vagão de trem passar.
O que importa são as amizades que cultivamos, assim como as sementes que plantamos num outono e flores germinam e desabrocham na primavera.
As boas risadas, os assobios, as carências compartilhadas, a desolação.
Tracemos um plano cartesiano...
Essa esfera exuberante de vida e de intermináveis relacionamentos não cessa...
Está compreendida no par ordenado entre infinito e infinito.
As apostas, ah, elas são inevitáveis uma vez que se quer quem lhe faz bem ao lado.
Reencontrar amigos, rever sonhos, rir o riso das nossas plantações translúcidas de esmeraldas.
Como dentro disso pode haver a guerra, a corrupção?
Como se pode desconversar sobre o que nos faz bem?
Que mundo bobo, se soubesses o poder de amar sem querer nada em troca...
Ah, se esse mundo soubesse o potencial que eu tenho para amar e que redescobri hoje, fortunadamente.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Nosso grito de liberdade

A gentileza pode sim se fazer presente pelas vielas por onde passamos para seguir nossa jornada.
Sai de casa, ônibus com assento vago, celular sem bateria para escutar uma canção.
Um “bom dia” de um sagaz e fugaz senhor de seu destino, seria ele Deus em sua forma humana para testar a humanidade? –Passei o dia pensando nisso.
Com um “bom dia” sem resposta por minha parte, na volta eis que um senhor das ruas me cumprimenta – a esse eu respondi e me vi logo após na pressa, pelo medo ou pelo orgulho.
O engraçado é que nunca passo sem um “bom dia” por quem quer que me esbarre pelo caminho.
Revigora, ressuscita-nos de nossas tristezas, faz-nos notados, transforma-nos em espírito.
Vai pé, vai calçada, vão multidões.
Como se fôssemos passageiros de um “Trem das cores” que passa a caetanear.
Sobe passarela, desce corpo amargo
Vai Banco, passa porta-giratória, saca dinheiro
Segue rumo a casa, faminto...
Desejo de emendar o dia e remendar a mim mesmo.
Amanhã o dia será devaneio
Amanhã o dia será de “bom dia”.

sábado, 5 de março de 2011

Nessa persistência súbita e árdua

Meu amor eu te amo tanto
Tanto que ultrapassa tudo o que vivemos
Aliás, as ilusões que vivi e você alimentando meu vazio
Nada te comove
Todos te satisfazem
Menos um
Esse menos um que você insiste em subtrair da sua vida
Amor meu, deixa de impedir o que é nosso
Derrube esse muro que construíste em vão
Nosso amor é tão claro
Meu amor por você
Eu te amo, e agora vou esperar até que você se permita me amar

quarta-feira, 2 de março de 2011

A ironia da mala

Desde que você foi embora não me escuto mais
Não me enxergo mais
Não descanso mais
Os dias são eternos
As tardes conspirantes
As noites de um profundo turvo
Suas falhas em meu corpo já sumiram
Sua marca pela casa já se apagou
Sua presença não mais indica
Que um dia você esteve aqui

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Pais mal estruturados + sociedade mal intencionada = aspirantes ao tormento

Precisamos parar com essa descontrução da educação aos pequenos nossos
Criamos filhos sob a perspectiva dos dogmas da sociedade
Criamos insanos seres pobres e coitados para um mundo ditado pelo fragilizado
Somo seres pensantes, dotados de opinião
Qual é a de vocês? Vão se deixar vender por moralismos e frases soltas?
É importante para a maturação do “ser” que ele cresça em um lar respaldado pela firmeza
Pela personalidade monovalente dos pais
Um mundo secularizado, jovens “hamburguerizados”
Deixem de giros em volta de seus próprios eixos
Lutar, ninguém nunca disse que era fácil
O que seria se parte de nós não fosse “Cristianisada” ou mesmo “Mahatmatizada”?
Luther King é um mártir
Hitler um covarde
Bodin não viveu para ver a queda do absolutismo
Os faraóis não passaram para o outro plano com os corações cravejados de ouro
As mesquitas sobreviveram
A igreja se fortaleceu
A oratória nunca foi tão ridicularizada
Os pais enlouqueceram
Abusam, meu Pai, de sua linhagem, sua estirpe
Os maltratam, dão ódio e instabilidade emocional como alimento desde a gênesis
Quero ver adentrar no apocalipse da minha alma
Minha preocupação não cessa, mas se aquieta por um instante
Minhas convicções foram torturadas
Deixe-me assistir ao enterro!

A letter to a silent voice

Please, forgive me. You have been meaning to, but so unsuccessfully. I already forgot your name, your tears, your smell on the sheets. Turn over the page. Be confident. Stand your ground. Don’t storm into. Respect my decision. Accept the changes. Repair your mind and take another foolish one to believe in you. Don’t despair. Be human. Stop your illness of attempting, each time more, to be with this stuck destructive feeling. Can’t you see? You are falling out. Get out of your childhood. Blow up this flame and leave to be blown down through the edge of the cliff. Don’t be staggered, haunted. You mean? It is such a golf game. Reminisce? Romantic dinners beyond the sea… Oh insane poor thing. You are self- centred. Be wrapped up. Leave the music guide you. Tend not to be as outgoing as you are. Approach yourself towards to the reality. Be thoughtful. Be on me. Be on your thinkings. Break down the plurality of this tough sphere. Be Jane. Be Marcus. Be yourself on the full time.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Fim de noite

Toda obra chega ao fim
Todo ressentimento chega ao fim
A rua escura e larga alarga nosso chão
Fim de noite, noite calada
O pote da noite é imensidão
O teu rascunho escondi de mim
Para não me ver na tentação de te desenhar
Teu peito aguenta meus tremores
Teu desejo corrompe os meus ardores.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Fugacidade

Beijos constantes
Vinhos
Universos
Desculpas
Omissões
Edredom
Escritório
Barzinho
Ordens e o chronos
Verdade seja dita: Vestimos preocupação desmedida em forma de terno e gravata
Comemos compulsivamente como forma de expurgar nossas apreensões
Ganhamos dinheiro como pretexto para exonerar nosso medo de se mostrar
Calores cortantes
Amores sem fim
Perfumes
Colares
Terços
Canções
Fingimento
A história passa batida nessa sucessão indescritiva
Nessa citação ao invés de excitação
Nesse pecado de pecar por não viver
Gradações contantes
Agradações com propósito
Livros
Novelas
Impressões
Marcas
Falas
Bocas que sussurram
O elogio da vida é saber se vestir não para se esconder, mas pra fazer valer o que se é.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Calçada da nossa rua

Cadê seu rosto?
Escondido pela covardia ou denegrido pela ausência da coragem?
Levanta, vai!
Diga seu nome, não se esconda!
Me dá uma surra de angústia e fica nesse estado.
Não é justo!
Vai se ver livre do seu aprisionamento!
Vai traduzir o que você acha que é a sua morada
Desocupe parte da minha lembrança
Ser repugnante
Trajes não mais atraem
Olhares perderam a chama
Sua presença é inóspita
Sua fome não posso saciar
Sua sede é de água que precisa
Seu espasmo não me convence
Sua boca seca já não clama por beijos
Na costumice do teu vento
Na mesmice do teu andar
Sua forma é disforme
Sua voz não mais lírica
Minhas pernas não mais tremem
Meu corpo não mais de ti necessita
Estou aqui
O nosso amor morreu.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O valor de uma amizade

(Dedicado à Tamires, uma pessoa que me fez passar momentos de alegria, os quais cristalizaram em mim)

A amizade é assim
Ela chega
Ela zoneia com a sua vida
Tira fotos
Invade momentos seus
Brinda prazer
E tira o que há de ruim dentro de nós
Digo, uma amizade verdadeira
Ultrapassa os prejuízos da vida
Colhe seus melhores frutos
Distribui emoção
Explode sua coragem
Enaltece seu ego
Limpa seu espírito
Te dá papel e caneta para escrever uma história
Te dá abrigo em seu peito de carinho
Faz com que risos sejam eternizados
Com que a chuva lave nossas incertezas
Dá brilho e escorre pelo nosso corpo
Potencializa nosso viver
Uma amizade, digo novamente, verdadeira
Constrói a base fortificada de um ser-humano

Bobagem de poema para quem não é merecedor de lembrança

Sou eu a vítima do meu sono
Quando me deito e vejo teu espaço vazio
A dor me aperta contra o travesseiro
O vento sopra em meu rosto pela janela
A essa hora você está nos braços de outro amor
Em outra vida
Em outro romance
Um romance que não escreve pelas linhas do nosso presente-futuro
Um romance que a vida guardou para ela
Cujo diálogo não obedece aos personagens
No qual não estamos inseridos
Coma esse teu sabor de paixão!
Absorva esse teu néctar afrodisíaco!
O tempo é tarde
O agora é sempre
Um sempre que não te espera mais
Não te espera se descobrir
Estou fundido e aniquilado em outra vida
A vida na qual você não faz parte.

Breve relato do amar

(Essa poesia como o próprio nome sugere nasceu em uma conversa informal de rede social)

Amar não é só sexo e beijação
Amar é compreensão
É estar junto
É afago nos cabelos
É mão molhada
É pescoço manchado
É companheirismo
É nó na garganta
Tá bom, é também como diria Elisa Lucinda "mãos nos peitinhos"
Mas amar é sobretudo estar junto e que cada um saiba dar prazer ao outro só pelo olhar.

Perseguido

Tem alguém atrás de nós
Esse alguém nos conhece muito bem
Tem acesso ao nosso íntimo
Bebe da nossa água
Frequenta o mesmo curso diário
Faz-se de amigo e quer nos roubar
Esse alguém está perdido e talvez precise de um abraço
Esse alguém somos nós que perseguidos por nossos apavoramentos
Deixamos de viver.

Seguindo...


Seguindo eu vou sem pressa de chegar
Vou ao martírio corriqueiro das minhas frustrações
Vou beber vitória
Vou procurar razão
Vou me despedir dos meus medos e limitações
Quero, posso e vou conseguir
Nada mais me assusta
Nem uma flor nesse caminho que eu já não conheça
Nem um espinho que eu já não tenha me machucado
Os carros correm em sentido contrário
As pessoas em busca do insaciável
O meu braço não aguenta mais erguido permanecer
Mas assim ficará até eu não mais poder.

Febre

Não posso mais compactuar com esse cinismo
Fingir que está tudo bem por sutileza
Penerar tudo o que digo
Não posso me torturar
É isso o que eles querem
Que nos calemos e abaixemos a cabeça em sinal de concordância
Mas eu não concordo
Eu não me amarro
Enquanto isso muitos padecem
A que espécie pertencemos?
Somos cegos por não ver ou por não querer crer?
Cordas e fios de nylon decepam as nossas virtudes
O ar está ficando rarefeito
A política não democratiza mais
O objetivo é ter
Ao passo que temos, avançamos na grosseria
E regredimos em nossos conceitos
Fragilizados procuramos a luz
Luz essa que nunca veremos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mentiras à venda, verdades alugadas

Fatores de discórdia à parte
A vida está mesmo na hipoteca
Os reais valores já não compartilham da decência
As aflições já consumiram o ilógico
O delírio as sensações
Sou dessa fase em que os homens percorrem a dubiedade
Em que está tudo escasso
Tudo no limite
Tudo vago
Minha esperança desce ligeira a escada da humanidade
A minha vitrola não toca mais
O que restou de mim é falho
O meu desejo não sucumbe mais aos meus anseios
Minha caneta está sem tinta
Meu caderno as folhas de registro se perderam
O celular não toca mais
As verdades parecem ocultas
Vítimas do silêncio
Meu consolo é meu enigma
Minha cama é meu imaginário
As verdades estão mesmo alugadas
Numa terra de estrangeiros
Onde o endereço se perdeu
Impossível de rastrear
As mentiras assumiram o espaço
Estão nas vitrines dos shoppings
Nas prateleiras e nos nossos armários
São convidativas, atraentes
Não têm o hábito de julgar
E com suas diferentes formas assumidas
Adentram em nossa casa, em nossa rede mal tecida
Compramos modéstia
Destruímos honestidade e o real
Faltamos com as palavras doces e os elogios
Vivemos uma mentira
Uma mentira pós-contemporânea
Mentimos e não mais omitimos para poupar
Obcecados e sem defesa
Indivíduos se suportam
Não existe mais o sentido de andar
Caminhar virou mecânico
Não se sente mais
A vida madruga e matina
A mentira estabelece e anoitece
O dia não mais aviva
A escuridão tomou conta de nós
O vazio é nosso amigo, enquanto a verdade segue sem destino
Rumo estrada afora
Com sua mala e caminhar
As palavras resolveram fugir
E o andar aos poucos para
Seu socorro é inaudível
Sua prole não vingou
Seu recado não deixou