sábado, 21 de maio de 2011

Um coração que quase não pulsa mais

Meu coração está ardendo, inflamado, em chamas fagulhantes
Meu coração está angustiado, com medo de criança, ameaçado pelo ressentimento
Implora para que eu faça o que é certo
Minha condescendência me diz para ir lá, me desculpar
Minha lógica diz que o melhor a fazer é ao tempo dar sua chance de apagar essa mágoa
O difícil é falar com meu escuro, com meu vazio, com minha amplitude
Sou amplo em meus versos e limitado em sentimentos
Meu coração fagocita toda e qualquer lágrima
Meus mananciais já secaram
Meus lençóis freáticos não os abastece mais
Minha vida segue perene nesse imposto que tenho de pagar
Meus desastres já não são noticiados
O vento levou você como eu queria e agora sigo aqui ricocheteando nesse rio morto
Meu âmago, minha inimiga constante...
Minha culpa!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Dualismo da nova era...

Parando para analisar, e isso é o que me embate há muito tempo, o nosso pré-conceito está bem em nossa margem, no leito de nosso rio...
Algo que sempre me intriga muito é a denominação de gen normal e anormal...
Outro dia quando tinha uma questão na folha de exercícios, lá no meu curso, na qual uma das opções de resposta era “aberração cromossômica”, podia até dar para bom entendedor, conversa plausível, já que “aberração” é aquilo que foge aos padrões, contudo, temos de trabalhar nossa mente para aquilo como “errado” e normal mesmo é chamar o gen de “anormal”, assim como pessoas - quem tem cabelo liso possui o par de alelos heterozigóticos, portanto, “normal”; já quem possui cabelo crespo é o recessivo, o “anormal”. Desculpa, Elisa Lucinda, você é linda e realmente alucinda, mas é anormal.
Não é preciso ir muito longe para ver tamanho paradoxo.
Nos dizemos “sem preconceito”, mas você já parou para se auto-avaliar, se policiar?
Se um negro lhe pisa o pé, até então, um “foi mal” por parte dele e um gesto de acepção é dado por nossa parte...
Mas quando um negro assalta um banco?... vai ficando difícil de conter não é mesmo?...
Melhor...quando esse mesmo negro lhe agride moralmente, destrói sua conduta e ainda bate com a bola no portão de sua casa? Humm...acho que ouvi alguém dizer “seu preto, seu macaco”!
Isso, minha gente, é o nosso não-preconceito...isso é o nosso paradoxo, o nosso antagonismo impregnado. Somos hipócritas. Dançamos a valsa com o indivíduo que julgamos ser inferior a nós. Faríamos isso, então, por conveniência? Talvez. Fracasso? Não. Má formação ideológica, corrupção social...não e outras vezes não.
Somos assim, de maneira tão fácil de entender, porque achamos que não estamos sendo equivalente ao que se julga de preconceituoso...”Eu? imagina, eu ACEITO até homossexual”...e é com essas palavras que seguimos nossa bem-aventurada vida, nossa trama, nosso diálogo sem falas, nosso livro copiado, nossa xerox em branco, nossa pauta mal organizada.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O que é preciso para ser?

Ser, ser e mais ser.
Na ambiguidade que a palavra pressupõe, nos dá margem para seguir dois caminhos: o ser com o sentido de se fazer valer para agradar alguma conveniência e o ser daquilo que somos.
Uma jovem senhora, dotada de puro carisma, de despreocupações com possíveis reconciliações, já que seu marido é falecido de nascença, caminha atônita com a descoberta de um novo mundo ao seu redor [...] ela está no shopping. Nesse aglomerado de lojas e vitrines convidativas ela passeia vislumbrada com cada luz, com cada incenso, com cada transeunte.
Na escada rolante um menino chora para com ela brincar...a neném na praça de alimentação derruba sorvente e mancha sua blusinha nova cor-de-rosa...o moço mal encarado passa com suas sacolas, provavelmente, um presente para amante; todo engravatado e com ar de todo certinho...ali, bem perto, um casal de namorados compartilham um algodão-doce, o cinema lota em dia de estreia, a mãe passa dando um sabão no filho e uma menina grita “Camila, Camila, me espera”.
São todos eles, pois, personagens os quais esta senhora, livre e desimpedida, jamais vira. Personagens que compõem a cena e “visualgraficamente” relatam como foram seus dias. No pequeno restaurante toca música boa e a plateia de meia-dúzia de colegas de trabalho no “happy hour”, cada um já embriagado pelas risadas, exaurem seus demônios, veem-se livres da cornucópia de papéis e burocracia.
Essa senhora não se preocupa com o ser, que muitos neste shopping se preocupam. Ela veste roupas simples, foras de moda, de tons pastéis quase imperceptíveis, mas que ecoa em sua sonoridade a vontade de viver, o esforço para se aderir ao novo mundo, ao novo tempo. Ela, em seu tempo, nunca tivera o bel-prazer para ser uma vez a dona de si. Ela é nela mesma. Já os que passam, com seus pecados, com suas preocupações, seus lamentos, seus desapontamentos e seus julgos, não veem refratar o espetáculo de luzes e cores; eles são cegos para a vida, eles têm muito a aprender com esta senhora. Seu nome: Felicidade.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O encontro

Sabe, nessa vida dizem que tudo passa...
Mas há controvérsias. Será que não podemos dizer que mesmo que na ideia sugerida e subjetiva de tempo tudo passe, as emoções que vivemos não são eternas no nosso presente, um presente que não tem limite de quando começa ou termina?
Pode ser uma eternidade, já que muito li a respeito da mesma, ou então o limite de tempo para um vagão de trem passar.
O que importa são as amizades que cultivamos, assim como as sementes que plantamos num outono e flores germinam e desabrocham na primavera.
As boas risadas, os assobios, as carências compartilhadas, a desolação.
Tracemos um plano cartesiano...
Essa esfera exuberante de vida e de intermináveis relacionamentos não cessa...
Está compreendida no par ordenado entre infinito e infinito.
As apostas, ah, elas são inevitáveis uma vez que se quer quem lhe faz bem ao lado.
Reencontrar amigos, rever sonhos, rir o riso das nossas plantações translúcidas de esmeraldas.
Como dentro disso pode haver a guerra, a corrupção?
Como se pode desconversar sobre o que nos faz bem?
Que mundo bobo, se soubesses o poder de amar sem querer nada em troca...
Ah, se esse mundo soubesse o potencial que eu tenho para amar e que redescobri hoje, fortunadamente.