Não vou mais te pedir pra casar comigo.
Decidi não aturar seu mau-humor diário, seu hálito matinal.
Seu café levar na cama, seus sapatos buscar quando se encontra no atraso para o trabalho.
Resolvi separar umas fotos e encontrei uma carta sua...a primeira...quando declarei meu amor por ti, jurei minha fidelidade e amor eternos...nem pudera eu imaginar que acabaria assim.
A cama não se forra mais, nosso desejo se perdeu, sua coleção de colares de almas torturadas, seu pecado de várias noites em lençóis distintos.
Seja no andar brando de sua obra corporal, seja na inquietude de meus pensamentos; crucificado fui eu, tolo e arredio, caído de paixão e me deixei fotografar.
Meu álbum, que agora revejo, contém cenas de dias em que a promessa de felicidade era inteira e doada gratuitamente.
As datas dessas fotos, nada mais que imagens congeladas de acontecimentos só nossos, que embora estivéssemos na presença de amigos, o segredo de nossa felicidade era compartilhado apenas em nossos corações; escondido e bem arquitetado como um crime, era assim, eu o bandido e você o revólver...
Na hora de disparar o tiro disparei em mim...você me matou e agora fique com esses versos.
A vida é um parque, com rodas-gigantes, balanços, montanhas-russas, carrinhos bate-bate e kamikazes. Às vezes ela é somente um carrossel. A minha nunca foi diferente. Ela é um misto de todos esses brinquedos. E esse era o tema da minha festa de 1 ano de idade. Hoje, 23 anos depois, 5 anos da última postagem, eu reativo esse blog. De lá pra cá muita coisa mudou. Continuei escrevendo. As ideias estão diferentes, mas o conteúdo é o mesmo. A vida!! Aprecie!!
quinta-feira, 23 de junho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Hoje eu resolvi falar da poesia
Ela merece um espaço maior.
Nos acompanha durante nossa formação, ainda que sorrateiramente ou mesmo de modo a ser exposto.
Uma frase bem planejada, ou mesmo aquela que sai de solavanco, dão engajamento ao nosso discurso.
Uma palavra juntada, um neologismo, um assassinato morfológico, também contribuem para a força e notoriedade contextuais.
As palavras “saem quase sem querer”, como diria Vanessa da Mata e assim vão lapidando nosso rastro, morrem ao serem proferidas.
Palavras dispersas no ar é balela, elas estão mesmo é mortas...o difícil é localizá-las em nossos sentimentos e desculpá-las da boca do outro.
Ah, as palavras, as frases, os versos, as estrofes...a precisão vocabular, o espaço, o tempo, o jornal...
Já se viu quanto erro tem em um jornal? É a palavra se expressando por si só...
A poesia? Ela é esse universo infinito de astros que teimam em carregar sua luz própria.
É a prosa, o conto, a tal da não-verbal...
Enquanto isso, eu te ofereço um drink, caindo no estrangeirismo - um recurso linguístico...puxa uma cadeira, senta aí comigo, vamos pedir a saideira?
Escreva aí uma poesia...use as palavras que te dei...
A palavra ao gosto do freguês.
Nos acompanha durante nossa formação, ainda que sorrateiramente ou mesmo de modo a ser exposto.
Uma frase bem planejada, ou mesmo aquela que sai de solavanco, dão engajamento ao nosso discurso.
Uma palavra juntada, um neologismo, um assassinato morfológico, também contribuem para a força e notoriedade contextuais.
As palavras “saem quase sem querer”, como diria Vanessa da Mata e assim vão lapidando nosso rastro, morrem ao serem proferidas.
Palavras dispersas no ar é balela, elas estão mesmo é mortas...o difícil é localizá-las em nossos sentimentos e desculpá-las da boca do outro.
Ah, as palavras, as frases, os versos, as estrofes...a precisão vocabular, o espaço, o tempo, o jornal...
Já se viu quanto erro tem em um jornal? É a palavra se expressando por si só...
A poesia? Ela é esse universo infinito de astros que teimam em carregar sua luz própria.
É a prosa, o conto, a tal da não-verbal...
Enquanto isso, eu te ofereço um drink, caindo no estrangeirismo - um recurso linguístico...puxa uma cadeira, senta aí comigo, vamos pedir a saideira?
Escreva aí uma poesia...use as palavras que te dei...
A palavra ao gosto do freguês.
domingo, 19 de junho de 2011
Carta à presidenta
Cara presidenta,
Como é de conhecimento de todos, porém pouco ainda se discute, venho aqui para mostrar a situação ambiental da nossa riqueza ecológica.
Lhe pergunto, como é possível atrelar desenvolvimento sustentável com crescimento econômico de maneira a prevalecer os direitos do meio ambiente? Como é que podemos assegurar o direito de nossas matas, florestas, rios e animais que a cada dia são extintos sem que nunca tivessem sido conhecidos? Pode aparentar ser discurso demagógico insistir nessa tecla de “fala ambientalista”, mas os dados me apavoram. De acordo com a Veja de agosto de 1995, um dado alarmante vem à tona; em comparação ao período colonial, “a Mata Atlântica cobria cerca de 12% do território nacional; em 1995, a floresta nativa resumia-se a 95.000 km², menos de 10% da cobertura do ano de 1.500 (1 milhão de km²).” Eu, em minha vez de cidadão, me vejo envergonhado e piedoso quanto ao nosso futuro e de nossos descendentes. Não é preciso ir muito longe, nem é preciso ter um conhecimento muito específico de geografia para entender que a Mata Atlântica “regula o fluxo dos rios, protege as escarpas e encostas das serras, assegura a fertilidade do solo e ajuda a controlar o clima.” Como se pode acabar com o nosso sustento biológico? Uma folha, presidenta, uma folha de papel não flutua no ar. Como é que querem que soframos calados e cabisbaixos fiquemos mediante construções que ferem o princípio de legitimidade do ser?
De acordo com Augusto Titarelli, “[...] considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, que, direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais”.
Como é que a Belo Monte pode não se encaixar neste parâmentro? Como é possível considerar a instalação de uma usina hidrelétrica como não nociva ao ecossistema e a população? Ainda que o empreendimento possa trazer propostas de melhoria energética, os "benefícios" a longo prazo são catastróficos. Quando é que a lei da natureza será respeitada? Eu escrevo, já cansado de ter de esperar por solução...A senhora presidenta por algum acaso tem algum projeto de bolha ou redoma para se enclausurar quando a situação se tornar insuportável?
É a voz de um povo que clama, são nossos direitos, onde está a democracia? Onde que fazendeiros podem mandar no nosso modo de vida e ditar as regras? Ferir a Constituição, por parte do governo é aceitável? Então liberemos o aborto, a maconha e a eutanásia...já que é relevante, não é presidenta, vamos fazer a festa.
Como é de conhecimento de todos, porém pouco ainda se discute, venho aqui para mostrar a situação ambiental da nossa riqueza ecológica.
Lhe pergunto, como é possível atrelar desenvolvimento sustentável com crescimento econômico de maneira a prevalecer os direitos do meio ambiente? Como é que podemos assegurar o direito de nossas matas, florestas, rios e animais que a cada dia são extintos sem que nunca tivessem sido conhecidos? Pode aparentar ser discurso demagógico insistir nessa tecla de “fala ambientalista”, mas os dados me apavoram. De acordo com a Veja de agosto de 1995, um dado alarmante vem à tona; em comparação ao período colonial, “a Mata Atlântica cobria cerca de 12% do território nacional; em 1995, a floresta nativa resumia-se a 95.000 km², menos de 10% da cobertura do ano de 1.500 (1 milhão de km²).” Eu, em minha vez de cidadão, me vejo envergonhado e piedoso quanto ao nosso futuro e de nossos descendentes. Não é preciso ir muito longe, nem é preciso ter um conhecimento muito específico de geografia para entender que a Mata Atlântica “regula o fluxo dos rios, protege as escarpas e encostas das serras, assegura a fertilidade do solo e ajuda a controlar o clima.” Como se pode acabar com o nosso sustento biológico? Uma folha, presidenta, uma folha de papel não flutua no ar. Como é que querem que soframos calados e cabisbaixos fiquemos mediante construções que ferem o princípio de legitimidade do ser?
De acordo com Augusto Titarelli, “[...] considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, que, direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais”.
Como é que a Belo Monte pode não se encaixar neste parâmentro? Como é possível considerar a instalação de uma usina hidrelétrica como não nociva ao ecossistema e a população? Ainda que o empreendimento possa trazer propostas de melhoria energética, os "benefícios" a longo prazo são catastróficos. Quando é que a lei da natureza será respeitada? Eu escrevo, já cansado de ter de esperar por solução...A senhora presidenta por algum acaso tem algum projeto de bolha ou redoma para se enclausurar quando a situação se tornar insuportável?
É a voz de um povo que clama, são nossos direitos, onde está a democracia? Onde que fazendeiros podem mandar no nosso modo de vida e ditar as regras? Ferir a Constituição, por parte do governo é aceitável? Então liberemos o aborto, a maconha e a eutanásia...já que é relevante, não é presidenta, vamos fazer a festa.
sábado, 18 de junho de 2011
Gaia
O que é que estamos fazendo?
Não escutaram a voz de Gaia?
Ela pede socorro, imortalizada em sua existência e destinada a conviver com a tirania do homem.
Uma criança planta uma flor, no outro dia essa mesma faz sombra para uma joaninha...uma árvore dá seus primeiros sinais de vida, enquanto duas de suas irmãs morrem ao seu lado...é uma imensa crueldade...atentar contra a vida de parentes tão próximos.
Os céus assistem a tudo, esperando a hora da batalha final, que já sabemos quem serão os perdedores.
As montanhas descerão para ver o triunfo dos mais fortes
Gaia virá com sua fúria de mãe e nos porá de castigo
Em contrapartida, o sol se esmiuçará nas matas, nas águas dos mares e fará com que a vida na terra seja um “era uma vez”...
Nesse dia a respiração será ofegante e o arrependimento será sentido até pelos que não despertaram a fúria de Gaia...
Todos marcharão no exército mortífero...
O perdão não será concedido...
Esse episódio não será contado, a vida já terá ido embora...
Não escutaram a voz de Gaia?
Ela pede socorro, imortalizada em sua existência e destinada a conviver com a tirania do homem.
Uma criança planta uma flor, no outro dia essa mesma faz sombra para uma joaninha...uma árvore dá seus primeiros sinais de vida, enquanto duas de suas irmãs morrem ao seu lado...é uma imensa crueldade...atentar contra a vida de parentes tão próximos.
Os céus assistem a tudo, esperando a hora da batalha final, que já sabemos quem serão os perdedores.
As montanhas descerão para ver o triunfo dos mais fortes
Gaia virá com sua fúria de mãe e nos porá de castigo
Em contrapartida, o sol se esmiuçará nas matas, nas águas dos mares e fará com que a vida na terra seja um “era uma vez”...
Nesse dia a respiração será ofegante e o arrependimento será sentido até pelos que não despertaram a fúria de Gaia...
Todos marcharão no exército mortífero...
O perdão não será concedido...
Esse episódio não será contado, a vida já terá ido embora...
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Hoje o meu ônibus estava cheio
(Crônica ao senhor do saber, o imenso destino desconhecido)
Acordei no rompante da hora e me elevei até o banho.
Não tem quando acontece aquele misto de sentimentos e que junto com a fúria e a angústia, fazem com que o coração bata mais rápido?
Então...hoje eu vivenciei esse misto...essa sensação de estar novamente sendo ferido, sendo apontado.
Apontado pelos meus medos, apontado pelo meu não-saber lidar com o cenário de delírios, ameaças e certificações.
Já em meu ônibus, de volta do tormento e sacrilégio diários, fiz com que meus olhos se voltassem para o belo do que me esperava...
Fiz e em vão, literalmente, com um muro de estação me deparei...
Vi senhores de rua...
E pela primeira vez me vi.
Me vi no aspecto cidadão.
Me vi abandonado e quis me enxergar melhor.
Queria saber o que se passava em meu íntimo, em meu mar de confusões e reflexões.
Vi naqueles rostos, como nunca anteriormente, o grito torturado e a aparência de dignidade.
Achei estranho e por isso seguimos...
Quando não mais que de repente me deparo com cena inusitada...
Era um outro desses senhores de rua deitado no chão como se fosse posar para um quadro ou ensaio sensual...
Vi naquela pose a fala de uma sociedade...
Me vi novamente.
E com isso, chego, me liberto das minhas apreensões de hoje e esvazio meu ônibus cheio de palavras presas...
Deixo você com minha incerteza de paz até amanhã.
Acordei no rompante da hora e me elevei até o banho.
Não tem quando acontece aquele misto de sentimentos e que junto com a fúria e a angústia, fazem com que o coração bata mais rápido?
Então...hoje eu vivenciei esse misto...essa sensação de estar novamente sendo ferido, sendo apontado.
Apontado pelos meus medos, apontado pelo meu não-saber lidar com o cenário de delírios, ameaças e certificações.
Já em meu ônibus, de volta do tormento e sacrilégio diários, fiz com que meus olhos se voltassem para o belo do que me esperava...
Fiz e em vão, literalmente, com um muro de estação me deparei...
Vi senhores de rua...
E pela primeira vez me vi.
Me vi no aspecto cidadão.
Me vi abandonado e quis me enxergar melhor.
Queria saber o que se passava em meu íntimo, em meu mar de confusões e reflexões.
Vi naqueles rostos, como nunca anteriormente, o grito torturado e a aparência de dignidade.
Achei estranho e por isso seguimos...
Quando não mais que de repente me deparo com cena inusitada...
Era um outro desses senhores de rua deitado no chão como se fosse posar para um quadro ou ensaio sensual...
Vi naquela pose a fala de uma sociedade...
Me vi novamente.
E com isso, chego, me liberto das minhas apreensões de hoje e esvazio meu ônibus cheio de palavras presas...
Deixo você com minha incerteza de paz até amanhã.
sábado, 11 de junho de 2011
O mundo de um motorista
Trancafiado em seu universo de bom dia lá vai o motorista.
Lá vai ele, olhem que maravilha, sem ele nosso início de jornada não seria possível.
Hoje resolvi dedicar meu verso ao próprio...este ser menosprezado em seu salário e em recebimento de sinais de gentileza.
Tudo começa na rodoviária...pega passageiro...paga com dinheiro inteiro e não tem trocado.
“Espera, que daqui a pouco te entrego o troco” e então segue apreensivo a viagem temendo ao saltar não ter recebido o tal troco.
Sobem então passageiros e mais passageiros e então eis que surge o troco.
Nesse passar de roletas, imperceptível ao fim do dia, o que restou foi apenas o cansaço...
Mas antes mesmo de ir pra casa, precisa fazer certa quantidade de viagens e aguentar passageiro de todos os tipos e avessos.
Sobe o moço que não sabe pra onde vai...
Sobe a passadeira e arrumadeira de lares...
Sobe o indiozinho, menino todo meigo, uniformizado e com a boca que o lambuzar do chocolate serve pra moldar.
Sobe o emo e seu amigo, compartilhando de um corte de cabelo todo “trendy” e com seus incessantes movimentos de ajeitar.
Ah, sabe quem mais sobe...sobe o Seu Mário, o mestre de obras de mais um desses projetos “boom” da construção civil...ele sobe e junto dele três ajudantes...
A essa altura o ônibus vai ficando cheio, mas igual coração de mãe ele segue rumo a estação.
Sobe Dona Laura, Dona Lígia e Dona Marleide...todas a caminho das promoções do supermercado.
Sobe Júlio, o feirante.
Sobe Fábio, o estudante.
Marília, a professora.
Anita...essa, pelo que dizem, atua mesmo é na destruição de casamentos...profissão que já está quase alcançando valor no Sindicato.
Sobe eu, sobe você, subimos nós e eles.
Sobe Valdemar, o cara do dread...
Sobe Lúcio, o do som...que, por sinal, que barulheira logo pela manhã.
Sobe Cleide, a dona do cigarro...e com ela sobe toda a murrinha de uma noite de fumaça.
Começam a chegar os pontos de seus respectivos saltantes...
Eles descem e esquecem-se do motorista...
Será que lhe deram bom dia?
Será que lhe lembram a fisionomia?
Se lembram ou não...que injustiça é a vida de um motorista...
Ele faz o mesmo percurso e não se cansa...e se cansa não nos conta...está sempre lá, isolado, se fazendo de participante das ferragens do ônibus.
Quando alguém puxa a cigarra é possível notar seu olhar através do espelho...só isso...nenhuma palavra nem sorriso.
Ele, o motorista, nos leva para fazermos nossa história diária e a dele?
Quem faz a dele? Somos nós? Mas será que somos merecedores?
Ele ali, em sua pobreza de existência, inebria os que não se deixam perceber...
Ele ali, em sua camuflagem, não é capaz de dizer quem foi que por si passou e desceu...
Ele, o motorista, é personagem que atua de sola em nosso livro e que só pegamos na caneta pra escrevê-lo quando esse passa direto do ponto e nos deixa a esperar o próximo ônibus...atrasando assim, a escrita do nosso livreto...esse livreto...esse livreto indecifrável.
Lá vai ele, olhem que maravilha, sem ele nosso início de jornada não seria possível.
Hoje resolvi dedicar meu verso ao próprio...este ser menosprezado em seu salário e em recebimento de sinais de gentileza.
Tudo começa na rodoviária...pega passageiro...paga com dinheiro inteiro e não tem trocado.
“Espera, que daqui a pouco te entrego o troco” e então segue apreensivo a viagem temendo ao saltar não ter recebido o tal troco.
Sobem então passageiros e mais passageiros e então eis que surge o troco.
Nesse passar de roletas, imperceptível ao fim do dia, o que restou foi apenas o cansaço...
Mas antes mesmo de ir pra casa, precisa fazer certa quantidade de viagens e aguentar passageiro de todos os tipos e avessos.
Sobe o moço que não sabe pra onde vai...
Sobe a passadeira e arrumadeira de lares...
Sobe o indiozinho, menino todo meigo, uniformizado e com a boca que o lambuzar do chocolate serve pra moldar.
Sobe o emo e seu amigo, compartilhando de um corte de cabelo todo “trendy” e com seus incessantes movimentos de ajeitar.
Ah, sabe quem mais sobe...sobe o Seu Mário, o mestre de obras de mais um desses projetos “boom” da construção civil...ele sobe e junto dele três ajudantes...
A essa altura o ônibus vai ficando cheio, mas igual coração de mãe ele segue rumo a estação.
Sobe Dona Laura, Dona Lígia e Dona Marleide...todas a caminho das promoções do supermercado.
Sobe Júlio, o feirante.
Sobe Fábio, o estudante.
Marília, a professora.
Anita...essa, pelo que dizem, atua mesmo é na destruição de casamentos...profissão que já está quase alcançando valor no Sindicato.
Sobe eu, sobe você, subimos nós e eles.
Sobe Valdemar, o cara do dread...
Sobe Lúcio, o do som...que, por sinal, que barulheira logo pela manhã.
Sobe Cleide, a dona do cigarro...e com ela sobe toda a murrinha de uma noite de fumaça.
Começam a chegar os pontos de seus respectivos saltantes...
Eles descem e esquecem-se do motorista...
Será que lhe deram bom dia?
Será que lhe lembram a fisionomia?
Se lembram ou não...que injustiça é a vida de um motorista...
Ele faz o mesmo percurso e não se cansa...e se cansa não nos conta...está sempre lá, isolado, se fazendo de participante das ferragens do ônibus.
Quando alguém puxa a cigarra é possível notar seu olhar através do espelho...só isso...nenhuma palavra nem sorriso.
Ele, o motorista, nos leva para fazermos nossa história diária e a dele?
Quem faz a dele? Somos nós? Mas será que somos merecedores?
Ele ali, em sua pobreza de existência, inebria os que não se deixam perceber...
Ele ali, em sua camuflagem, não é capaz de dizer quem foi que por si passou e desceu...
Ele, o motorista, é personagem que atua de sola em nosso livro e que só pegamos na caneta pra escrevê-lo quando esse passa direto do ponto e nos deixa a esperar o próximo ônibus...atrasando assim, a escrita do nosso livreto...esse livreto...esse livreto indecifrável.
sábado, 4 de junho de 2011
Silêncio
Alguém ouviu? Alguém soube ou procurou saber das últimas?
É...parece que eles, os generais, querem ridicularizar nossa existência.
Eles aplicam a segregação nas escolas
Eles matam de dor a nós, a cada projeto que tramita no Congresso.
Eles desmatam a natureza
Eles comem a nosso custo
Eles nadam nas orgias da vida com nosso consentimento.
É processo aberto para apurar riqueza ilícita, é projeto de lei, é espera de aprovação...
É deputado que revoga o que foi institucionalizado...
É bispo querendo dar uma de defensor dos direitos de Adão e Eva.
Cabe a nós, assistir a essa ladroagem ou clamar em alta voz a que viemos.
A quantas andamos que não percebemos o mal que se instaurou?
Não dá pra respirar, estou dispnéico...
Me levem para a Unidade Hospitalar mais próxima...
Espero não morrer...
Mas do jeito que está se eu não morrer na fila de espera, eu morro de infecção.
É...parece que eles, os generais, querem ridicularizar nossa existência.
Eles aplicam a segregação nas escolas
Eles matam de dor a nós, a cada projeto que tramita no Congresso.
Eles desmatam a natureza
Eles comem a nosso custo
Eles nadam nas orgias da vida com nosso consentimento.
É processo aberto para apurar riqueza ilícita, é projeto de lei, é espera de aprovação...
É deputado que revoga o que foi institucionalizado...
É bispo querendo dar uma de defensor dos direitos de Adão e Eva.
Cabe a nós, assistir a essa ladroagem ou clamar em alta voz a que viemos.
A quantas andamos que não percebemos o mal que se instaurou?
Não dá pra respirar, estou dispnéico...
Me levem para a Unidade Hospitalar mais próxima...
Espero não morrer...
Mas do jeito que está se eu não morrer na fila de espera, eu morro de infecção.
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