quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Desejo a mil quilômetros por hora

Te desejo, te quero , te amo , te espero
Te desejo aqui comigo, lambuzando essa cama de cheiro de noite, de buquê de amanhã
Te quero para satisfazer meus desejos
Te amo como consequência deles
Te espero em turbulência nas nuvens a dois mil pés
Te desejo, te quero , te amo , te espero
Não te desejo para ficar aí só
Não te quero com outro
Não te amo para te dividir com as eventualidades
Não te espero mais que um dia, que uma respiração, que uma ligação
Te desejo, te quero , te amo , te espero
Desejei, desejo, desejarei e terei desejado
Te quis, te quero, te amo, te amarei e tenho te amado
Te desejo, te quero , te amo , te espero
Sei que posso desejar-te no começo da frase, mas que devo te querer, te amar e te esperar
Mas meu amor por ti é tão grato, grandioso e gradual que destoa da norma culta
Te desejo, te quero , te amo , te espero

O meu banco faliu

Meus empréstimos
Meu saldo negativo
Minhas aplicações
A conta está no vermelho
O cheque especial
O cartão de crédito
O débito pediu socorro na farmácia
O gerente me ligou
Que vergonha, meu Deus, depois de anos de fidelidade com o banco
Ele faliu e nem pra me avisar
Gastei além do que pudera imaginar
Estava lá aplicado mais do que papéis, estava meu amor por aquele ser
Este que me virou as costas, de quem eu não sei se fujo ou se corro ao encontro
Por que sorris pra mim, anjo da minha crise econômica?
Se eu for pra Europa, vais comigo entrar no mundo dos protestos?
Que amor covarde...queria te ensinar o que é isso que me desconecta do funcionamento constante
Agora eu me vou, eu vou tentar salvar o que der pra salvar
O dinheiro a essas horas acena com um lenço, já longe do cais
Mas se eu te tivesse aqui ao meu lado, reconstruiríamos tudo outra vez...
Juntos!

Mensagem de um alguém para um ninguém

Sabe, queria te dizer que não é você mais quem ocupa os meus devaneios
Não é você de quem eu sinto o cheiro, o prazer de saber que ele está ali
Lembro de você apenas quando tudo parece desmoronar
Nas felicidades não mais
Eu disse que iria te esquecer
Ocupar sua brecha com outro amor
Um alguém
Um alguém que se faça notável
E que não se mostre como o ninguém que você se mostrou para mim durante esses seis anos
Eu olho pro tempo e vejo o quanto perdi na espera dos teus beijos
Beijos sujos de cigarro e de palavras faladas para ouvidos quaisquer
Queria seu toque, hoje nada disso me faz arder como antes
O seu andar, a sua pele, o seu cabelo, o seu gesto, sua voz, seu perfume, seu sorriso
Todos se ofuscaram como em um degelo súbito
As promessas de uma alegria a longo prazo se encontraram com o impossível em algum lugar do espaço
Tudo que eu queria te dar mudou de endereço
Sua simplicidade, sua bicicleta, seu jeito destemido e despretensioso não me fazem mais parar o que estou fazendo para te olhar
Te vejo, sei de seu corpo, noto sua presença, mas não movo uma esperança
Outro alguém preencheu o seu lugar
Só resta saber, o que não quero acreditar, que se trata de um ninguém assim como você foi todos esses anos para mim.

Grão de girassol

Encontrei um, quis correr pelas mãos, lindo, encapsulado pela formosura da natureza, e foi em um sábado pela manhã
Achei no chão, próximo a um jardim de primavera roxeado e rosa-azulado
Estava como se quisesse ser pego por minhas mãos calejadas de tanto segurar nas cordas da vida
Cordas que fizeram feridas, que custam a cicatrizar
Por que, meu pequeno grão, pequeno pássaro quer pegar?
Por que logo você, meu grão de pólen, foi se deixar levar pelo primeiro sopro que passou?
Você é minha orquídea, minha margarida, minha azaléia, meu lírio, meu amor!
Trago-te na cesta que levei para recolher os frutos no pomar
Meu grão, pequeno grão de girassol...
Quer ser plantado, não quer, por mim, esse servo que admira sua beleza e que teme ao tocá-la esfacelar sua face?
Grande rosa branca
Minha plantação é de morangos, pêssegos e amoras
Você se embaralha por entre os outros
Chego a casa e quando vou esvaziar a cesta
Tanto esforço se perdeu
Você se foi
Foi semear amor e beleza em alguma parte daquele chão
Vai crescer, florescer e quando um dia eu passar pelo pomar saberei
Esse aqui é o meu girassol.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O trote da vida

“E eu que pensava que não ia me apaixonar nunca mais na vida”...
Esse verso da Marisa me enche de vida ao mesmo tempo em que diz de mim e deixa exposto minha parte quebrantada
Eu não sei ao certo o que esse sentimento que novamente reaviva e emana de mim pode conter, mas já consigo ver as noites mal dormidas, a voz ofegante, o corpo cansado e a mente que sequer tem consciência de si
O peito já está esmigalhado
E outra vez a história de terror se repete
Pergunto onde Ele está que nada faz?
Cadê esse Deus que me deixa percorrer mais uma vez esse mar de gelo?
Que me permite escrever mais um capítulo em branco desse meu caderno caído aos pedaços
Pra quê? Por que um coração tão vulnerável às peripécias do amor?
Pra que essa sensibilidade nessa alma presa, amarrada de sua possibilidade de voar?
O melhor seria eu ser feito de um material resistente que não se emoldurasse em qualquer porta-retratos, que não fosse como um bebê que vai ao colo de todos
Eu queria essa dor para longe de mim
Esse alguém se afasta e sei que mesmo escrever sobre já pode parecer loucura
Como eu fui tão ingênuo? Me escolheria? Não.
Prefere dormir em uma cama de pregos corroídos pela ferrugem, deleitar-se do aroma de outros campos, a correr comigo nesse imenso corredor expresso para a felicidade
Vai, que termine mais esse ano e você que eu conheci, que eu não veja mais
Vai, suma, e por mais uma vez eu fico com essa frase: Nunca mais amarei.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Malabares, crônicas e muitas brincadeiras de faz de conta

Tua roupa encharcada da chuva eu tirei, sequei teus cabelos, despi teu corpo e um sorriso malicioso eu desencobri
Era você querendo me levar pra dentro do teu temporal
Sugar-me para fora daquele espírito atordoado que eu vestia por debaixo do jeans e da camiseta
Era você com esse ar de você mesmo
Tirou minha roupa, lambeu-me a nuca...as mãos percorriam as mais destemidas áreas que eu pudera notar a presença
A voz era suja, pecaminosa, embargada pela água do chuveiro e esbaforia-se em prazer tolo, de graça, sem pretensão, volátil, ríspido, meu!
Era meu amor de volta, após anos de guerra contra si mesmo
Tinha resolvido dar-se uma chance
Dar-nos uma história, ainda que fosse faz de conta
As lágrimas eram invisíveis perante toda aquela água
Tocava Isabella Taviani na MPB FM
E enquanto nos beijávamos, nos inebriávamos com o gozo de uma vida sem gozar, eu relembrava a companhia que as canções daquela cantora tinha me feito nos momentos de desespero
Aos poucos fomos nos recompondo, terminando o banho, deixando a água lavar toda a paixão que a mesma tinha se comprometido de trazer naquela noite
Quando já nos secávamos, eu abri os olhos e percebi...
O suor banhava a cama, eu estava só, e o sonho estava dentro de mim, louco para gritar seu nome
Saí então pela rua e lá estava
O final depois eu conto...

O câncer dos nossos pensamentos

Minha gente, o que é o câncer?
Trocando em miúdos, uma doença traiçoeira, que traz apenas dor, sofrimento e quando a cura traz pode até gerar superação, até que ela ataque novamente, despejando o pote que a felicidade estava todo no chão, igual a um pote de biscoitos recém-chegados do supermercado.
Pessoas ao redor do mundo passam por ele, mas teria um estágio maior para a doença senão a própria morte do que sente?
Existe, é o câncer oriundo não da produção celular desordenada, mas das mazelas e pré-conceitos que fazemos questão de catar da caçamba quando o lixeiro já tem despejado todo o conteúdo no caminhão.
E para que se pratica tal insanidade?
Com uma bíblia em baixo dos braços, os mentirosos se escondem, perdidos no mundo das infelicidades, se comprometem a levar a palavra adiante quando nem se quer a palavra conhecem...
Aprendi hoje que um dos maiores sinais de inteligência é dar palanque para que tais indivíduos se expressem, deliciando-se de suas intempestuosidades enquanto tentam demonstrar ser alguém, conhecer a velocidade dos astros, o movimento regente de todas as coisas
Que bobinhos! Estão com câncer e esse será que tem cura?
Não me translocarei para este debate...
Me resumo em poucas linhas, quero dar margem à eles...
Que falem, estou aqui para ouvi-los!


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Relação sem nome

Eu gosto da multiplicidade
Eu gosto da originalidade
Eu gosto de olhar pro outro e ver algo que eu não vejo em mim
Gosto de abrir as portas do armário e encontrar meias e cuecas de todas as cores e tons
Gosto de sair de preto em um dia ensolarado
Gosto de vestir camiseta no inverno
Gosto de falar palavrão quando apropriado
Temo os que são iguais e não me saltam aos olhos
Essa gente que é levada pela maré dos gostos genéricos
Que não faz sua própria revolução
Não cria seus prospectos
Não engaja uma iniciativa
Espera que a banda passe como diria Chico Buarque
Espera faltar luz para ir ao supermercado e comprar a vela como todos os outros
Espera ter fome de conhecimento para pedir auxílio e não vai lá e busca
Entra no Google!
Seja original...deixa eu te ver como alguém que eu nunca vi
Estou farto dessas matizes com tons gelo e não híbridos
Cadê a cor da nossa espécie?
E a possibilidade de se reinventar?
Quero, gosto e desejo te ver...
Te ver pintando um quadro de você...
Mas vai lá e faça algo diferente, algo que eu ainda não tenha visto, nem sugerido.