quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Grão de girassol

Encontrei um, quis correr pelas mãos, lindo, encapsulado pela formosura da natureza, e foi em um sábado pela manhã
Achei no chão, próximo a um jardim de primavera roxeado e rosa-azulado
Estava como se quisesse ser pego por minhas mãos calejadas de tanto segurar nas cordas da vida
Cordas que fizeram feridas, que custam a cicatrizar
Por que, meu pequeno grão, pequeno pássaro quer pegar?
Por que logo você, meu grão de pólen, foi se deixar levar pelo primeiro sopro que passou?
Você é minha orquídea, minha margarida, minha azaléia, meu lírio, meu amor!
Trago-te na cesta que levei para recolher os frutos no pomar
Meu grão, pequeno grão de girassol...
Quer ser plantado, não quer, por mim, esse servo que admira sua beleza e que teme ao tocá-la esfacelar sua face?
Grande rosa branca
Minha plantação é de morangos, pêssegos e amoras
Você se embaralha por entre os outros
Chego a casa e quando vou esvaziar a cesta
Tanto esforço se perdeu
Você se foi
Foi semear amor e beleza em alguma parte daquele chão
Vai crescer, florescer e quando um dia eu passar pelo pomar saberei
Esse aqui é o meu girassol.

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