A verdade está por toda parte
Na água cheia de bactérias da bica do bar que se pede para tomar em um dia de sol
Na barriga de uma mulher prestes a parir na estação de trem, que acabou em notícia de jornal
No costas do trabalhador que não vê os filhos há mais de um mês
Nas contas a serem pagas pelo pai empreendedor
Nos calos surgidos de vintes anos de labuta
Na cabeça de um menino que vai se arrastando para a escola numa manhã de segunda-feira
“Ah, hoje é terça e eu preciso ficar ouvindo esse professor chato?”
“Hoje é quarta e a semana bem que podia terminar amanhã”
“Ainda é quinta, acho que não vou pra escola amanhã...quer saber, vou matar o primeiro tempo”
“Hoje é sexta e eu não vou pra escola...de tarde tenho curso e de noite festa do Paulinho”
E nesse vai e vem a semana passa e o nosso queixar-se da rotina vai aos poucos gastando nosso pavio
E quanto ao telejornal? Será que teve tempo de parar e ver as atrocidades que assolam o Oriente Médio, a Crise na Zona do Euro, os conflitos entre pataxós e assentados, as greves de professores, a possibilidade de uma censura à imprensa, vocês viram?
“Extra, extra, população resolve tirar a roupa da verdade, prometem deixá-la nua, mas por pena permanece o sutiã e a calcinha”...está mais para manchete do Meia-hora, mas o recado foi dado.
A verdade num meio copo de cerveja
A verdade na boca de uma criança que desconhece o sigilo e o “pudor” do mundo adulto
A verdade estampada nas páginas dos noticiários
A verdade que amassamos e nem sequer nos damos o trabalho de jogar na lixeira, vai pro chão mesmo, é mais pertinente e menos incômodo
A verdade como se quer ouvir
Uma verdade prima próxima da mentira e da farsa
Encasacada e com seu sobretudo foge de mansinho, mas deixa a sua verdade em cima da estante, onde só os altos alcançam.
A vida é um parque, com rodas-gigantes, balanços, montanhas-russas, carrinhos bate-bate e kamikazes. Às vezes ela é somente um carrossel. A minha nunca foi diferente. Ela é um misto de todos esses brinquedos. E esse era o tema da minha festa de 1 ano de idade. Hoje, 23 anos depois, 5 anos da última postagem, eu reativo esse blog. De lá pra cá muita coisa mudou. Continuei escrevendo. As ideias estão diferentes, mas o conteúdo é o mesmo. A vida!! Aprecie!!
terça-feira, 27 de setembro de 2011
sábado, 24 de setembro de 2011
As águas e o sol passam por mim
Desde pequeno, quando minha mãe me levava ao dentista ou mesmo para fazer compras, eu ficava ali, da janela do ônibus, só reparando a inércia do sol.
Era como a lua, mas era mais estável seu movimento...
A qualquer instante parecia que eu poderia os alcançar, não tinha noção de quão distante estávam de mim e os queria ver de perto.
À medida que o ônibus se movia, na minha frente o sol pela janela nunca ficava para trás...
E eu me perguntava o por quê daquela estagnação toda, por que é que ele, o sol, não se movia para trás de mim.
Ontem eu percebi novamente tal inexorabilidade, tal maestria com que ele domina o universo, o meu universo que agora um pouco mais adentro está dos seus milhões quilômetros que nos separam...
Naquela mente pequenina, eu não me curvava mediante as palavras da ciência, eu fazia o meu próprio conhecimento e ele varria o percurso de casa para onde quer que eu fosse.
Ainda hoje, mesmo curvado, eu não me prostro em aceitação; eu quero dominar essa órbita elíptica que viajamos a cada ano, quero entender nossa espécie, quero me compreender e saber o motivo pelo qual as falhas e as águas que nos banham não me dizem...
Quero viver a imutabilidade dos sentimentos de outrora...
Quero os amores do mundo ao meu redor, contando histórias uns para os outros, vivendo a alma ao invés do corpo, não se dizimando sobre a terra...
Esse ar, essa pele pujante, esse olhar que me confunde, essa natureza sua e minha, todas as pessoas do planeta...
Vamos viver a sincronia dessa dança convidativa, que nunca cessa, e que poucos conhecem a melodia.
Era como a lua, mas era mais estável seu movimento...
A qualquer instante parecia que eu poderia os alcançar, não tinha noção de quão distante estávam de mim e os queria ver de perto.
À medida que o ônibus se movia, na minha frente o sol pela janela nunca ficava para trás...
E eu me perguntava o por quê daquela estagnação toda, por que é que ele, o sol, não se movia para trás de mim.
Ontem eu percebi novamente tal inexorabilidade, tal maestria com que ele domina o universo, o meu universo que agora um pouco mais adentro está dos seus milhões quilômetros que nos separam...
Naquela mente pequenina, eu não me curvava mediante as palavras da ciência, eu fazia o meu próprio conhecimento e ele varria o percurso de casa para onde quer que eu fosse.
Ainda hoje, mesmo curvado, eu não me prostro em aceitação; eu quero dominar essa órbita elíptica que viajamos a cada ano, quero entender nossa espécie, quero me compreender e saber o motivo pelo qual as falhas e as águas que nos banham não me dizem...
Quero viver a imutabilidade dos sentimentos de outrora...
Quero os amores do mundo ao meu redor, contando histórias uns para os outros, vivendo a alma ao invés do corpo, não se dizimando sobre a terra...
Esse ar, essa pele pujante, esse olhar que me confunde, essa natureza sua e minha, todas as pessoas do planeta...
Vamos viver a sincronia dessa dança convidativa, que nunca cessa, e que poucos conhecem a melodia.
domingo, 18 de setembro de 2011
Pra que discutir?
Me irritam essas pessoas fundamentalistas “Não como em Mcdonald’s, não uso Nike e sou a favor da liberação da maconha, da eutanásia” e com isso levam suas opiniões como se fossem um outro membro de seus corpos.
Chega João e todos o veem com cara de comunista rebelde.
O que há de mal em defender uma postura, não gostar de outra e simplesmente querer aquilo pra você? – respondo: não há mal algum.
O que é preciso ser entendido é o extremismo, o fundamentalismo, o exacerbado, o querer intimidar.
Hoje, vivemos em um mundo de guerras constantes, por motivos banais, atentados contra a vida e a percepção humanas e deixamos de viver o que é pra ser vivido.
Eu como no Mcdonald’s, não uso Nike, pois não tenho dinheiro, sou católico, mas não defendo a postura de certos padres, ou melhor, não fecho minha mente para as críticas e possíveis verdades...não tolero que digam o contrário.
Todos devemos ter o discernimento daquilo que falamos e mostramos.
Mas não gosto e não vou ser mal interpretado por aquilo que penso e o pouco que mostro.
Toda crítica constituída de boas intenções são bem vindas ou mesmo aquelas que se enchem de ar maléfico quando são depostas.
Nenhuma crítica que vá depreciar a imagem de alguém ou aquilo que a pessoa acredita pode ser levado como brincadeira...
Cristina torce para o Flamengo e Caio para o Vasco...
O que há de mal deles torcerem juntos ou mesmo irem ao estádio sem que um queira matar o outro após a partida?
É apenas um jogo, nossa vida, aquilo que está enraizado em nós, nossas políticas e vivências não contam?
Então pra que ainda brincar com a derrota do amigo? Sua vitória se faz mediante a destruição do outro? Você acredita em Deus? Então vá ler a Bíblia.
Então, por que ainda se discute qual a melhor religião, qual a melhor marca, o melhor sistema de governo, a melhor banda de todos os tempos, os maiores ídolos?
Enquanto a massa segue os “melhores”, os que ficam sentados ao meio fio transbordam de sabedoria aqueles que se deixam ser levados por sua humildade.
Paremos com essas discussões ácidas e pouco relevantes...
Eu tenho o meu direito de saber se uma criança será melhor adaptada a uma família tradicional ou não, mas que direito me respalda apontar as consequências de uma possível criação alternativa se eu não tenho o poder sobre o futuro?
Enquanto isso tudo é mera especulação...amores que nos fizeram sofrer, pra quê se fechar pro mundo? Caiu duas, três, aposte na quarta subida, quem sabe você não fica firme?
Escrevo, angustiado e já sem tolerância para esses discursos pré –prontos de ataque e essas falas sempre com o mesmo discurso, esses que teimam em chamar aos outros de ignorantes e que pouco notam que a ignorância está em julgar aquele que desconhecemos...
Por isso defenda o que você acredita com base naquilo que não desagrade alguém que se senta na carteira ao seu lado.
Chega João e todos o veem com cara de comunista rebelde.
O que há de mal em defender uma postura, não gostar de outra e simplesmente querer aquilo pra você? – respondo: não há mal algum.
O que é preciso ser entendido é o extremismo, o fundamentalismo, o exacerbado, o querer intimidar.
Hoje, vivemos em um mundo de guerras constantes, por motivos banais, atentados contra a vida e a percepção humanas e deixamos de viver o que é pra ser vivido.
Eu como no Mcdonald’s, não uso Nike, pois não tenho dinheiro, sou católico, mas não defendo a postura de certos padres, ou melhor, não fecho minha mente para as críticas e possíveis verdades...não tolero que digam o contrário.
Todos devemos ter o discernimento daquilo que falamos e mostramos.
Mas não gosto e não vou ser mal interpretado por aquilo que penso e o pouco que mostro.
Toda crítica constituída de boas intenções são bem vindas ou mesmo aquelas que se enchem de ar maléfico quando são depostas.
Nenhuma crítica que vá depreciar a imagem de alguém ou aquilo que a pessoa acredita pode ser levado como brincadeira...
Cristina torce para o Flamengo e Caio para o Vasco...
O que há de mal deles torcerem juntos ou mesmo irem ao estádio sem que um queira matar o outro após a partida?
É apenas um jogo, nossa vida, aquilo que está enraizado em nós, nossas políticas e vivências não contam?
Então pra que ainda brincar com a derrota do amigo? Sua vitória se faz mediante a destruição do outro? Você acredita em Deus? Então vá ler a Bíblia.
Então, por que ainda se discute qual a melhor religião, qual a melhor marca, o melhor sistema de governo, a melhor banda de todos os tempos, os maiores ídolos?
Enquanto a massa segue os “melhores”, os que ficam sentados ao meio fio transbordam de sabedoria aqueles que se deixam ser levados por sua humildade.
Paremos com essas discussões ácidas e pouco relevantes...
Eu tenho o meu direito de saber se uma criança será melhor adaptada a uma família tradicional ou não, mas que direito me respalda apontar as consequências de uma possível criação alternativa se eu não tenho o poder sobre o futuro?
Enquanto isso tudo é mera especulação...amores que nos fizeram sofrer, pra quê se fechar pro mundo? Caiu duas, três, aposte na quarta subida, quem sabe você não fica firme?
Escrevo, angustiado e já sem tolerância para esses discursos pré –prontos de ataque e essas falas sempre com o mesmo discurso, esses que teimam em chamar aos outros de ignorantes e que pouco notam que a ignorância está em julgar aquele que desconhecemos...
Por isso defenda o que você acredita com base naquilo que não desagrade alguém que se senta na carteira ao seu lado.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Crônica ao Senhor dos desastres
Hoje a febre circundou nossas cabeças
Falei pouco, comi o suficiente, ouvi tanta gente...
Ouvi hipocrisia, ouvi asneira, rebeldia e vi a fúria de um professor
Viajei nas histórias, no tempo dos meus devaneios, nas libertinagens que uma fórmula de física pode conter
Pedi abraços, ganhei carinhos, sorrisos e retribuí rispidamente
No meio do caminho um garoto, dessas financeiras que mais parecem ofertar dinheiro e prometem juros para você passar o Natal, enquanto eu pedia uma informação me cutucava ininterruptamente com uma caneta, dizendo: Vamos entrar! Vamos entrar!
“Tem como parar com isso, por favor” – retruquei...resolvi minhas pendências, aliás, não resolvi e fui embora
Rumo à rodoviária eis que um pássaro, desses cujo sobrenome é bendito, desacopla-se de suas excretas e as arremessa para o deleite da gravidade
Uma folha de caderno limpa a sujeira, mas não desfaz o estresse
Não despe o escudo que criei para me defender do mundo, mesmo que esse seja apenas um pássaro
Mas, pensando bem, eu ri da situação
Já no ônibus, uma menina anuncia um possível vômito (sem eufemismos)– ela estava ao meu lado, em meio a tosses, estouros de bolas de chiclete e murmúrios pouco prazerosos de se ouvir
Já em casa, com os pés na calçada, a luz sai para dar um passeio
Volta depois de quase duas horas e eu aqui escrevo
Que dia para se guardar nas anotações
Que dia para não se viver mais!
Falei pouco, comi o suficiente, ouvi tanta gente...
Ouvi hipocrisia, ouvi asneira, rebeldia e vi a fúria de um professor
Viajei nas histórias, no tempo dos meus devaneios, nas libertinagens que uma fórmula de física pode conter
Pedi abraços, ganhei carinhos, sorrisos e retribuí rispidamente
No meio do caminho um garoto, dessas financeiras que mais parecem ofertar dinheiro e prometem juros para você passar o Natal, enquanto eu pedia uma informação me cutucava ininterruptamente com uma caneta, dizendo: Vamos entrar! Vamos entrar!
“Tem como parar com isso, por favor” – retruquei...resolvi minhas pendências, aliás, não resolvi e fui embora
Rumo à rodoviária eis que um pássaro, desses cujo sobrenome é bendito, desacopla-se de suas excretas e as arremessa para o deleite da gravidade
Uma folha de caderno limpa a sujeira, mas não desfaz o estresse
Não despe o escudo que criei para me defender do mundo, mesmo que esse seja apenas um pássaro
Mas, pensando bem, eu ri da situação
Já no ônibus, uma menina anuncia um possível vômito (sem eufemismos)– ela estava ao meu lado, em meio a tosses, estouros de bolas de chiclete e murmúrios pouco prazerosos de se ouvir
Já em casa, com os pés na calçada, a luz sai para dar um passeio
Volta depois de quase duas horas e eu aqui escrevo
Que dia para se guardar nas anotações
Que dia para não se viver mais!
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