Hoje a febre circundou nossas cabeças
Falei pouco, comi o suficiente, ouvi tanta gente...
Ouvi hipocrisia, ouvi asneira, rebeldia e vi a fúria de um professor
Viajei nas histórias, no tempo dos meus devaneios, nas libertinagens que uma fórmula de física pode conter
Pedi abraços, ganhei carinhos, sorrisos e retribuí rispidamente
No meio do caminho um garoto, dessas financeiras que mais parecem ofertar dinheiro e prometem juros para você passar o Natal, enquanto eu pedia uma informação me cutucava ininterruptamente com uma caneta, dizendo: Vamos entrar! Vamos entrar!
“Tem como parar com isso, por favor” – retruquei...resolvi minhas pendências, aliás, não resolvi e fui embora
Rumo à rodoviária eis que um pássaro, desses cujo sobrenome é bendito, desacopla-se de suas excretas e as arremessa para o deleite da gravidade
Uma folha de caderno limpa a sujeira, mas não desfaz o estresse
Não despe o escudo que criei para me defender do mundo, mesmo que esse seja apenas um pássaro
Mas, pensando bem, eu ri da situação
Já no ônibus, uma menina anuncia um possível vômito (sem eufemismos)– ela estava ao meu lado, em meio a tosses, estouros de bolas de chiclete e murmúrios pouco prazerosos de se ouvir
Já em casa, com os pés na calçada, a luz sai para dar um passeio
Volta depois de quase duas horas e eu aqui escrevo
Que dia para se guardar nas anotações
Que dia para não se viver mais!
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