A verdade está por toda parte
Na água cheia de bactérias da bica do bar que se pede para tomar em um dia de sol
Na barriga de uma mulher prestes a parir na estação de trem, que acabou em notícia de jornal
No costas do trabalhador que não vê os filhos há mais de um mês
Nas contas a serem pagas pelo pai empreendedor
Nos calos surgidos de vintes anos de labuta
Na cabeça de um menino que vai se arrastando para a escola numa manhã de segunda-feira
“Ah, hoje é terça e eu preciso ficar ouvindo esse professor chato?”
“Hoje é quarta e a semana bem que podia terminar amanhã”
“Ainda é quinta, acho que não vou pra escola amanhã...quer saber, vou matar o primeiro tempo”
“Hoje é sexta e eu não vou pra escola...de tarde tenho curso e de noite festa do Paulinho”
E nesse vai e vem a semana passa e o nosso queixar-se da rotina vai aos poucos gastando nosso pavio
E quanto ao telejornal? Será que teve tempo de parar e ver as atrocidades que assolam o Oriente Médio, a Crise na Zona do Euro, os conflitos entre pataxós e assentados, as greves de professores, a possibilidade de uma censura à imprensa, vocês viram?
“Extra, extra, população resolve tirar a roupa da verdade, prometem deixá-la nua, mas por pena permanece o sutiã e a calcinha”...está mais para manchete do Meia-hora, mas o recado foi dado.
A verdade num meio copo de cerveja
A verdade na boca de uma criança que desconhece o sigilo e o “pudor” do mundo adulto
A verdade estampada nas páginas dos noticiários
A verdade que amassamos e nem sequer nos damos o trabalho de jogar na lixeira, vai pro chão mesmo, é mais pertinente e menos incômodo
A verdade como se quer ouvir
Uma verdade prima próxima da mentira e da farsa
Encasacada e com seu sobretudo foge de mansinho, mas deixa a sua verdade em cima da estante, onde só os altos alcançam.
Nenhum comentário:
Postar um comentário