“E eu que pensava que não ia me apaixonar nunca mais na vida”...
Esse verso da Marisa me enche de vida ao mesmo tempo em que diz de mim e deixa exposto minha parte quebrantada
Eu não sei ao certo o que esse sentimento que novamente reaviva e emana de mim pode conter, mas já consigo ver as noites mal dormidas, a voz ofegante, o corpo cansado e a mente que sequer tem consciência de si
O peito já está esmigalhado
E outra vez a história de terror se repete
Pergunto onde Ele está que nada faz?
Cadê esse Deus que me deixa percorrer mais uma vez esse mar de gelo?
Que me permite escrever mais um capítulo em branco desse meu caderno caído aos pedaços
Pra quê? Por que um coração tão vulnerável às peripécias do amor?
Pra que essa sensibilidade nessa alma presa, amarrada de sua possibilidade de voar?
O melhor seria eu ser feito de um material resistente que não se emoldurasse em qualquer porta-retratos, que não fosse como um bebê que vai ao colo de todos
Eu queria essa dor para longe de mim
Esse alguém se afasta e sei que mesmo escrever sobre já pode parecer loucura
Como eu fui tão ingênuo? Me escolheria? Não.
Prefere dormir em uma cama de pregos corroídos pela ferrugem, deleitar-se do aroma de outros campos, a correr comigo nesse imenso corredor expresso para a felicidade
Vai, que termine mais esse ano e você que eu conheci, que eu não veja mais
Vai, suma, e por mais uma vez eu fico com essa frase: Nunca mais amarei.
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