Tua roupa encharcada da chuva eu tirei, sequei teus cabelos, despi teu corpo e um sorriso malicioso eu desencobri
Era você querendo me levar pra dentro do teu temporal
Sugar-me para fora daquele espírito atordoado que eu vestia por debaixo do jeans e da camiseta
Era você com esse ar de você mesmo
Tirou minha roupa, lambeu-me a nuca...as mãos percorriam as mais destemidas áreas que eu pudera notar a presença
A voz era suja, pecaminosa, embargada pela água do chuveiro e esbaforia-se em prazer tolo, de graça, sem pretensão, volátil, ríspido, meu!
Era meu amor de volta, após anos de guerra contra si mesmo
Tinha resolvido dar-se uma chance
Dar-nos uma história, ainda que fosse faz de conta
As lágrimas eram invisíveis perante toda aquela água
Tocava Isabella Taviani na MPB FM
E enquanto nos beijávamos, nos inebriávamos com o gozo de uma vida sem gozar, eu relembrava a companhia que as canções daquela cantora tinha me feito nos momentos de desespero
Aos poucos fomos nos recompondo, terminando o banho, deixando a água lavar toda a paixão que a mesma tinha se comprometido de trazer naquela noite
Quando já nos secávamos, eu abri os olhos e percebi...
O suor banhava a cama, eu estava só, e o sonho estava dentro de mim, louco para gritar seu nome
Saí então pela rua e lá estava
O final depois eu conto...

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