quinta-feira, 16 de junho de 2011

Hoje o meu ônibus estava cheio

(Crônica ao senhor do saber, o imenso destino desconhecido)

Acordei no rompante da hora e me elevei até o banho.
Não tem quando acontece aquele misto de sentimentos e que junto com a fúria e a angústia, fazem com que o coração bata mais rápido?
Então...hoje eu vivenciei esse misto...essa sensação de estar novamente sendo ferido, sendo apontado.
Apontado pelos meus medos, apontado pelo meu não-saber lidar com o cenário de delírios, ameaças e certificações.
Já em meu ônibus, de volta do tormento e sacrilégio diários, fiz com que meus olhos se voltassem para o belo do que me esperava...
Fiz e em vão, literalmente, com um muro de estação me deparei...
Vi senhores de rua...
E pela primeira vez me vi.
Me vi no aspecto cidadão.
Me vi abandonado e quis me enxergar melhor.
Queria saber o que se passava em meu íntimo, em meu mar de confusões e reflexões.
Vi naqueles rostos, como nunca anteriormente, o grito torturado e a aparência de dignidade.
Achei estranho e por isso seguimos...
Quando não mais que de repente me deparo com cena inusitada...
Era um outro desses senhores de rua deitado no chão como se fosse posar para um quadro ou ensaio sensual...
Vi naquela pose a fala de uma sociedade...
Me vi novamente.
E com isso, chego, me liberto das minhas apreensões de hoje e esvazio meu ônibus cheio de palavras presas...
Deixo você com minha incerteza de paz até amanhã.

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