Cara presidenta,
Como é de conhecimento de todos, porém pouco ainda se discute, venho aqui para mostrar a situação ambiental da nossa riqueza ecológica.
Lhe pergunto, como é possível atrelar desenvolvimento sustentável com crescimento econômico de maneira a prevalecer os direitos do meio ambiente? Como é que podemos assegurar o direito de nossas matas, florestas, rios e animais que a cada dia são extintos sem que nunca tivessem sido conhecidos? Pode aparentar ser discurso demagógico insistir nessa tecla de “fala ambientalista”, mas os dados me apavoram. De acordo com a Veja de agosto de 1995, um dado alarmante vem à tona; em comparação ao período colonial, “a Mata Atlântica cobria cerca de 12% do território nacional; em 1995, a floresta nativa resumia-se a 95.000 km², menos de 10% da cobertura do ano de 1.500 (1 milhão de km²).” Eu, em minha vez de cidadão, me vejo envergonhado e piedoso quanto ao nosso futuro e de nossos descendentes. Não é preciso ir muito longe, nem é preciso ter um conhecimento muito específico de geografia para entender que a Mata Atlântica “regula o fluxo dos rios, protege as escarpas e encostas das serras, assegura a fertilidade do solo e ajuda a controlar o clima.” Como se pode acabar com o nosso sustento biológico? Uma folha, presidenta, uma folha de papel não flutua no ar. Como é que querem que soframos calados e cabisbaixos fiquemos mediante construções que ferem o princípio de legitimidade do ser?
De acordo com Augusto Titarelli, “[...] considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, que, direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais”.
Como é que a Belo Monte pode não se encaixar neste parâmentro? Como é possível considerar a instalação de uma usina hidrelétrica como não nociva ao ecossistema e a população? Ainda que o empreendimento possa trazer propostas de melhoria energética, os "benefícios" a longo prazo são catastróficos. Quando é que a lei da natureza será respeitada? Eu escrevo, já cansado de ter de esperar por solução...A senhora presidenta por algum acaso tem algum projeto de bolha ou redoma para se enclausurar quando a situação se tornar insuportável?
É a voz de um povo que clama, são nossos direitos, onde está a democracia? Onde que fazendeiros podem mandar no nosso modo de vida e ditar as regras? Ferir a Constituição, por parte do governo é aceitável? Então liberemos o aborto, a maconha e a eutanásia...já que é relevante, não é presidenta, vamos fazer a festa.
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