quarta-feira, 4 de maio de 2011

O que é preciso para ser?

Ser, ser e mais ser.
Na ambiguidade que a palavra pressupõe, nos dá margem para seguir dois caminhos: o ser com o sentido de se fazer valer para agradar alguma conveniência e o ser daquilo que somos.
Uma jovem senhora, dotada de puro carisma, de despreocupações com possíveis reconciliações, já que seu marido é falecido de nascença, caminha atônita com a descoberta de um novo mundo ao seu redor [...] ela está no shopping. Nesse aglomerado de lojas e vitrines convidativas ela passeia vislumbrada com cada luz, com cada incenso, com cada transeunte.
Na escada rolante um menino chora para com ela brincar...a neném na praça de alimentação derruba sorvente e mancha sua blusinha nova cor-de-rosa...o moço mal encarado passa com suas sacolas, provavelmente, um presente para amante; todo engravatado e com ar de todo certinho...ali, bem perto, um casal de namorados compartilham um algodão-doce, o cinema lota em dia de estreia, a mãe passa dando um sabão no filho e uma menina grita “Camila, Camila, me espera”.
São todos eles, pois, personagens os quais esta senhora, livre e desimpedida, jamais vira. Personagens que compõem a cena e “visualgraficamente” relatam como foram seus dias. No pequeno restaurante toca música boa e a plateia de meia-dúzia de colegas de trabalho no “happy hour”, cada um já embriagado pelas risadas, exaurem seus demônios, veem-se livres da cornucópia de papéis e burocracia.
Essa senhora não se preocupa com o ser, que muitos neste shopping se preocupam. Ela veste roupas simples, foras de moda, de tons pastéis quase imperceptíveis, mas que ecoa em sua sonoridade a vontade de viver, o esforço para se aderir ao novo mundo, ao novo tempo. Ela, em seu tempo, nunca tivera o bel-prazer para ser uma vez a dona de si. Ela é nela mesma. Já os que passam, com seus pecados, com suas preocupações, seus lamentos, seus desapontamentos e seus julgos, não veem refratar o espetáculo de luzes e cores; eles são cegos para a vida, eles têm muito a aprender com esta senhora. Seu nome: Felicidade.

Um comentário:

  1. Só uma ressalva: Já que se conclui que a senhora, na verdade, é uma roupagem, a personificação da Felicidade, a parte que fala que "seu marido é falecido de nascença" comprova a causa real; a felicidade não tem seu masculino, ela é em si mesma e desta forma, pode viver em cada um de nós, já que não escolhe a ninguém, se faz ser escolhida.

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