sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mentiras à venda, verdades alugadas

Fatores de discórdia à parte
A vida está mesmo na hipoteca
Os reais valores já não compartilham da decência
As aflições já consumiram o ilógico
O delírio as sensações
Sou dessa fase em que os homens percorrem a dubiedade
Em que está tudo escasso
Tudo no limite
Tudo vago
Minha esperança desce ligeira a escada da humanidade
A minha vitrola não toca mais
O que restou de mim é falho
O meu desejo não sucumbe mais aos meus anseios
Minha caneta está sem tinta
Meu caderno as folhas de registro se perderam
O celular não toca mais
As verdades parecem ocultas
Vítimas do silêncio
Meu consolo é meu enigma
Minha cama é meu imaginário
As verdades estão mesmo alugadas
Numa terra de estrangeiros
Onde o endereço se perdeu
Impossível de rastrear
As mentiras assumiram o espaço
Estão nas vitrines dos shoppings
Nas prateleiras e nos nossos armários
São convidativas, atraentes
Não têm o hábito de julgar
E com suas diferentes formas assumidas
Adentram em nossa casa, em nossa rede mal tecida
Compramos modéstia
Destruímos honestidade e o real
Faltamos com as palavras doces e os elogios
Vivemos uma mentira
Uma mentira pós-contemporânea
Mentimos e não mais omitimos para poupar
Obcecados e sem defesa
Indivíduos se suportam
Não existe mais o sentido de andar
Caminhar virou mecânico
Não se sente mais
A vida madruga e matina
A mentira estabelece e anoitece
O dia não mais aviva
A escuridão tomou conta de nós
O vazio é nosso amigo, enquanto a verdade segue sem destino
Rumo estrada afora
Com sua mala e caminhar
As palavras resolveram fugir
E o andar aos poucos para
Seu socorro é inaudível
Sua prole não vingou
Seu recado não deixou

2 comentários:

  1. Basicamente um ano após a última postagem, retomo a construção da minha vida poética. Sem mais conveniências,espero que quem leia com o coração e que seja conhecedor da verdade se sinta em casa.

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  2. Nossa, que lindo! Parabéns pelo texto, gostei batante.
    "(..)Vivemos uma mentira
    Uma mentira pós-contemporânea
    Mentimos e não mais omitimos para poupar
    Obcecados e sem defesa(...)"
    Adorei esse trecho.

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