domingo, 21 de fevereiro de 2010

A voz


Sempre tive de tomar as rédeas e sofri calado por não saber esperar
Talvez o tempo em que marca em meu relógio não seja o mesmo que na tua vida se alarda
O meu peito que arde de angústia
O teu louco perfeito de alma branca e ríspida
Tua voz insurda que eu me perco
Teu cheiro de amor que exala nas cartas
Tua inocência que eu peguei e guardo ao meu lado
As chaves que poderiam ter te propiciado das maiores emoções
A senha perdida que não encontrou e se fez rodear
O falho fardo do teu casaco que agora não te aquece mais
O incolor do teu sorriso brando
O prazer que da minha boca a sua, aroma de girassóis
Todas as vezes que te esperei
Nas vielas do crime que se instalava a minha esperança
Você passou e deixou seu cheiro desmedidamente intocado
Após horas e horas penso somente em como você pode rejeitar um amor
Amor puro e capaz de te fazer uma pessoa completa
Que eu vagarei por cada poeira até poder te encontrar
Na incerteza da minha existência acho sua dicção e me recolho em vastas tênues passagens de sua obra
A obra mais perfeita e mais sutil
Seu andar, seu corpo, seu amor

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