sábado, 20 de fevereiro de 2010

O toque do último beijo

Eu era como você
Sentia, sorria , desinibia e andava
Hoje pouco sei comer, sei andar, sei sentir
As vozes que um dia eclodiram de um “eu te amo”
Hoje clamam em desespero ao "de você quero distância"
A angústia de te olhar e ressentir
O medo dos teus olhos aos meus se fitarem e inexoravelmente por mim eles não se distanciarem
A meia palavra que ao som do teu silêncio eu resisti mencionar
O teu cheiro de mar que a brisa que por si o carregava se dissipou
O rastro das tuas meias, das tuas botas com lama que se apagaram
O nosso lençol encharcado pelas rubricas da tua chuva
A minha fogueira que te queimou um dia
E hoje sem mais lenha quer ousar a voltar
E em meus devaneios que você sempre alimentou
A sua esperança e o seu torpor
E a minha pena e o meu desdém
Tantas lágrimas pra quê serviram?
Pra escrever esse poema?
Se é que é um poema ou rima desmetrificada?
De algo sou convicto por enquanto
Nunca serás amante de ninguém como hoje eu sou por ti
E dedicar o amor que te dediquei
Por não restar-te amor
Já que eu dele queimei


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