domingo, 22 de fevereiro de 2009

Cartas Despedaçadas (Anderson Cavalcante)-livro "Preâmbulo"/2009

Não rasque essa carta por enquanto
Não deixe que o nosso amor vire cinzas
Não faça com que o gris das pedras ocupem sua alma
Não permita o frio da montanha congelar seu romantismo
Não me deixe partir outra vez
Não me mate por causa do seu ciúmes
Não me afogue devido a sua insegurança
Me tenha e me trate bem
Me ame e me dê o seu além
Além do temor e do fracasso
Me ame e tenha certeza do meu amor por ti
Me faça acreditar nas boas e velhas trajetórias
Me ensine o gosto de ser um lenhador
Me queime em brasa ao seu favor
Me deite nu em pêlo e me dê seu aconchego
Traga até mim o seu desapego
Olhe para a céu e veja o teu semblante
Veja as estrelas ao longe como um barbante
Como todas as cartas que despedaçou
Como essa também como fez com as outras
A estrada na qual tu trilhas um dia terá seu fim
O amor no qual dediquei, pena que já não é mais o mesmo
A sustentabilidade era a ilusão
Ilusão que eu tinha por ter te reparado e não ter sido desejado
Bom pra você que encontrou o seu caminho
Enfim poderei descansar sem a ilusão de um amor de desalinhos.

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